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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

30
Out17

O melhor dos bolos de iogurte, para adoçar a segunda-feira.

O melhor bolo de iogurte.

 

Durante muito tempo, como já aqui escrevi, fazer bolos foi a minha perdição na cozinha. Por bolos entenda-se bolos e afins: bolachas, queques, sobremesas... Doçuras em geral. Desde que me lembro de ser gente que a cozinha me fascina, e cedo comecei a experimentar fazer isto e aquilo, mas o meu coração sempre pendeu para o lado mais doce da coisa.

 

Nos últimos anos tudo se equilibrou mais. Não perdi o amor pelas formas, pela farinha, pelo açúcar, pelos cortadores... Nada disso. O que aconteceu foi que o outro lado da cozinha conquistou um espaço igualmente importante. Hoje não prefiro nem uma coisa nem outra. Sou igualmente feliz a fazer um bacalhau espiritual ou um bolo de chocolate. As bolachas adoçam-me o coração mas uns pãezinhos de queijo salgam-no no melhor sentido.

 

A vantagem imediata disto está no facto de almoçarmos e jantarmos todos os dias. Sobremesas e bolos e parentes próximos são muito bons, e muito cheirosos, e muito felizes no fazer e no comer, mas mal de nós se andássemos todos os dias nas doçuras. Quem é só feliz na doçaria pode ter dificuldades em pôr esse amor em prática constantemente; mas quem é feliz com tudo, ou mesmo só com salgados, acaba por quase todos os dias ter um momento, nem que seja breve, de descontração (ou de terapia, como eu lhe chamo).

 

Para mim os dias especiais são um bom motivo para fazer um docinho. Mas outras vezes faço-o só porque sim – nem que seja porque mereço, ora! Um bolo ou umas bolachinhas caseiras não matam ninguém. E agora que o tempo (aparentemente) vai refrescar até já apetece ligar o forno mais vezes. 

 

Este bolo tornou-se receita obrigatória cá em casa há uns meses. Precisava de fazer um bolo mas não queria que fosse de chocolate, nem de massa escura. Lembrei-me de bolo de laranja, mas também não era bem isso que me convinha. E depois lembrei-me de bolo de iogurte... Que é coisa que eu até costumo achar muito desengraçada, diga-se. Mas lá pesquisei, e pesquisei, e pesquisei, e acabei por decidir dar uma oportunidade a uma receita que encontrei no blog An Italian in My Kitchen.

 

O melhor bolo de iogurte.

 

E foi assim que cheguei à receita do bolo de iogurte que não só não é desengraçado como tem mesmo muita graça. Por várias razões: não podia ser mais fácil nem mais rápido de fazer, leva poucos ingredientes, é versátil (para recheios, aromas, coberturas...) e, acima de tudo, é de-li-ci-o-so. Tem uma textura muito leve e muito suave. É tão bom que no meu caderno de receitas se ficou a chamar "O Melhor Bolo de Iogurte"! Não posso perder esta receita nunca.

 

A versão de hoje, que é a de quase todas as fotografias, é a mais simples. Fi-lo para um lanche em casa de uns tios. Mas também já o fiz para aniversário:

 

O melhor bolo de iogurte.

 

E ficou uma belezura, não ficou? ;)

 

As segundas-feiras têm má fama. Mas garanto que este bolo as salva.

 

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O melhor bolo de iogurte

Ingredientes:

250 g de iogurte grego sem açúcar

3 ovos

1/2 chávena de óleo (= 112 g)

200 g de açúcar

180 g de farinha

1 c. de sopa de fermento (= 14 g)

Açúcar em pó q.b.

 

***

 

O melhor bolo de iogurte.

 

 

Quer ver como isto é mesmo fácil?

 

Primeiro pré-aqueça o forno nos 180º C e unte uma forma de 20 a 23 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel vegetal e reserve.

 

Na taça da batedeira, ou mesmo manualmente, bata levemente os ovos, em velocidade média, durante 30 segundos. Junte o óleo, o açúcar e o iogurte e bata durante um minuto, até a massa estar homogénea e suave. A seguir vai juntar a farinha e o fermento, em três ou quatro adições, e vai envolver. Nada de bater, aqui; é só mesmo mexer até que a massa esteja de novo homogénea.

 

Depois é só deitar na forma e levar ao forno, entre 30 e 45 minutos. Depende muito do forno... Mas faça o teste do palito, que nunca engana.

 

Assim que estiver pronto, tire o bolo do forno, deixe-o arrefecer na forma uns 10 minutos, e depois desenforme-o para uma rede. Quando estiver frio, passe para um prato, polvilhe com açúcar em pó... Et voilá!

 

O melhor bolo de iogurte.

 

 (Eu não disse que fácil-mais-fácil-não-há?)

 

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Notas:

* A receita funciona com qualquer tipo de iogurte. Pode ser grego ou não ser, por exemplo – mas com o grego a textura é muito melhor. Pode também ter sabores ou ser açucarado. Com iogurtes com aromas de fruta resulta muito bem; se usar desses, ou açucarados, já se sabe que vai ter de "roubar" no açúcar da receita, para não ficar com um bolo demasiado doce.

 

* Em alternativa, pode também juntar à massa extrato de baunilha, ou outro que prefira, para dar um gostinho extra. Mas assim, com a receita base, já fica mesmo muito bom.

 

O melhor bolo de iogurte.

27
Out17

Couve-roxa – e um acompanhamento bom e bonito.

Couve-roxa "a modos que" estufada.

 

Com o vício que se instalou cá em casa de fazer legumes de todas as formas e feitios acho que em breve vou ter de inaugurar a secção de acompanhamentos (porque em grande parte é para isso que os uso). E talvez também devesse fazer um contrato de abastecimento com uma frutaria. Não paro de ter ideias para abóboras, cenouras, couves, beterrabas... (Obrigada, Instagram, por fazeres deste mundo um sítio "culinariamente" mais feliz e intenso.)

 

Aqui há dias foi o puré de couve-flor. Lá para trás ficou o caldo verde. E, entre o tanto que já fiz e ainda aqui não está e o muito que tenciono experimentar assim que possível, chega hoje a couve-roxa.

 

Há algum encontrei, já nem sei por que caminhos, uma receita com couve-roxa que quis logo experimentar – apesar de nem ser assim a maior fã da dita cuja. A receita é do Jamie Oliver (mas está semeada por essa Internet fora).

 

Eu sei que nem toda a gente vive encantada com couve-roxa. Eu própria de facto não vivo. Quando era miúda adorava, mas depois o entusiasmo abrandou um bocadinho. Seja como for, de vez em quando compro, para depois gastar em salada, na sopa ou salteada. Mas a última que comprei já vinha mesmo com o destino traçado: a tal receita do Jamie.

 

Couve-roxa "a modos que" estufada.

 

Na prática isto é uma espécie de couve "estufada". Não leva nada daquilo que levam os estufados normais, mas a mecânica é idêntica.

 

Quando decidi experimentar já sabia que, à falta de uma grande descoberta culinária, ia pelo menos ter uma coisa bonita na mesa, com uma cor forte e diferente das habituais. Só que isto vai muito além da cor. Se vai... Aquele toque ácido da couve misturado com o doce do mel e do açúcar e com o salgado do bacon é-qualquer-coisa.

 

Mesmo que a couve-roxa não seja a sua primeira, segunda ou até décima opção na altura de comprar legumes, eu sugiro-lhe que dê uma oportunidade a esta receita. Aposto que, depois de a experimentar, não se vai ficar pela experiência! É mais uma alternativa no que toca a acompanhamentos, é fácil de fazer, é saudável (o bacon é pouquíssimo!), é leve, é suave e tem um sabor mesmo bom. E além disso é bonita...

 

Couve-roxa "a modos que" estufada.

 

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Couve-roxa "a modos que" estufada

Ingredientes [para duas pessoas]:

200 g de couve roxa

65 g de bacon em cubos

½ c. de sopa de açúcar mascavado

1 c. de chá de manteiga

Sal, pimenta preta, azeite, vinagre, tomilho e mel q.b.

 

***

 

Para esta receita vai começar por picar o melhor que conseguir a couve-roxa. Eu usei a mandolina e acabei por ficar com fios muito fininhos. Se ficar com cubinhos pequeninos, também está bem.

 

Quando a couve estiver picada, reserve. A seguir, pegue no wok (ou numa frigideira, ou em último caso num tacho) e leve-o ao lume com um pouco de azeite. Quando o azeite estiver quente, junte o bacon, o tomilho, o sal e a pimenta. Misture e deixe cozinhar em lume médio, até que o bacon esteja crocante e dourado. (Cinco a dez minutos e está feito.)

 

Assim que o bacon estiver no ponto vai tirá-lo do wok e reservar. Sem o wok ao lume junte o açúcar, mexa e leve novamente para o fogão. Deixe caramelizar um bocadinho, em lume brando, e depois junte o vinagre, a couve e o bacon. Mexa bem. A seguir junte um bocadinho de água (50 ml devem chegar), envolva e tape o wok com uma tampa.

 

Depois, é dar uns 40 minutos ao cozinhado, em lume muito brando e mexendo de vez em quando. Se lhe parecer que a couve está a ficar muito seca, junte mais um pouco de água.

 

Quando a couve estiver muito macia, quase a desfazer-se, junte a manteiga e o mel, misture muito bem, apague o lume... E sirva!

 

Couve-roxa "a modos que" estufada.

 

(E depois diga-me se gostou!)

 

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Notas:

* Esta couve é um ótimo acompanhamento para carnes grelhadas ou assadas. O Jamie também sugere peixe. Aí já não tenho tanta certeza... Mas quem sou eu! ;)

 

* A receita original pede alecrim. Mas eu não gosto assim muito de alecrim, e além disso também não tinha cá em casa... Por isso optei pelo tomilho.

 

* A receita original pede também vinagre de vinho tinto. Eu usei vinagre de tomate.

 

* O bacon não é obrigatório, mas o sabor que dá faz muita diferença.

 

Couve-roxa "a modos que" estufada.

25
Out17

Frango assado no forno cá de casa.

Frango no forno com limão, mel e ervas.

 

É verdade que frango assado da churrasqueira é a salvação em muitos dias. Também é verdade que frango, assado ou não, costuma ser aposta ganha – os miúdos gostam e os graúdos também, e além disso é uma carne de onde se pode fazer muita coisa e que é amiga das dietas. Difícil ser melhor, não?

 

Cá em casa o frango "acontece" de algumas formas. Estufado à moda da minha mãe (que hoje é a moda cá de casa...) era um dos pitéus da minha infância. Fricassé sempre me deixou contente, também. E depois havia caril de frango. E havia bifes de frango panados. E havia frango no forno com natas e cerveja. E agora há disto tudo cá em casa.

 

Coisa que lá em casa poucas vezes se fez, nem sei bem porquê, foi frango assado no forno. Mas sequinho, tostadinho por fora e suculento por dentro, é uma maravilha. Por isso neste fim de semana decidi levar duas pernas de frango ao forno, com o tempero "que calhou". E ficaram exatamente como eu queria (apesar de alguns percalços com o forno): tostadinhas e suculentas.

 

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Frango no forno com limão, mel e ervas

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 pernas de frango inteiras (coxa + perninha)

500 ml de leitelho

2 cálices de vinho branco

150 ml de azeite

3 c. de sopa de mel

2 dentes de alho esmagados

Sumo de 1/2 limão

Sal, pimenta preta, salva, colorau e tomilho q.b.

 

***

 

Esta receita começa na noite anterior, se o frango for para o almoço, ou logo de manhã, se for para o jantar. O que é preciso fazer? Separar as coxas das perninhas, dar uns golpes nos pedaços da carne (dos dois lados) e deixar o frango a marinar durante a noite, ou durante o dia, no leitelho. (Se for durante o dia, vire a carne a meio do tempo; se for durante a noite e tiver uma insónia aproveite para fazer a mesma coisa.)

 

Cerca de hora e meia antes de levar o frango ao forno, misture, numa taça onde a carne caiba, todos os restantes ingredientes. Primeiro, junte o vinho, o azeite e o mel e misture bem, para o mel dissolver. Depois acrescente os dentes de alho esmagados, o sumo de limão, o sal, a pimenta preta, as folhas de salva e tomilho e o colorau. Misture tudo, junte o frango a esta marinada (o leitelho deita-se fora nesta altura) e envolva muito bem. Deixe repousar e a meio do tempo vire a carne.

 

A partir daqui, quem trabalha é o forno (que vai pré-aquecer nos 200º C). Só tem de forrar um tabuleiro daqueles de grelha com papel vegetal (quer dizer: ter, não tem, mas ajuda na altura de lavar), pôr a grelha no tabuleiro e por cima colocar os pedaços de frango. Depois, é levar ao forno. Ao fim de uma meia hora vire os pedaços e baixe a teperatura do forno para os 180º C. A partir daí, mais meia hora deverá ser suficiente para a carne ficar bem cozinhada.

 

E pronto! Depois é só servir. E saborear. :)

 

Frango no forno com limão, mel e ervas.

 

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Notas:

* O meu forno, como está escrito no cabeçalho deste blog, é temperamental. Por isso nem vou dizer aqui o tempo que demorei a cozinhar este frango... Ao fim de uma hora (metade para cada lado do frango) espreite na zona dos golpes se a carne já está pronta. Se não estiver, baixe o lume aí para os 160º C e vá virando o frango e controlando o ponto de cozedura, para que a carne não seque demasiado. Mas frango mal passado é que nem pensar, já se sabe!

 

* O primeiro passo, o do leitelho, não é obrigatório. Mas que faz muita diferença... Isso faz. O que o leitelho vai fazer à carne é amaciá-la. É claro que peitos e pernas de frango não são iguais no que toca a "macieza", mas visto que a carne vai ser assada no forno, e sem molho...

 

* A receita do (delicioso, magnífico, inesquecível) puré de couve-flor que serviu de acompanhamento a este frango está aqui.

23
Out17

A descoberta do mês foi (este) puré de couve-flor.

Puré de couve-flor e ricotta.

 

Já aqui disse que cá em casa se comem muitos legumes. Para além de serem saudáveis, são um mundo de sabores, de cores e de texturas. E daí vem também a versatilidade. Crus, cozidos (em água ou a vapor), grelhados, assados, salteados, em puré, inteiros, aos pedaços... Há sempre mais qualquer coisa para experimentar. E é por tudo isto que, como também já por aqui escrevi, em cada dez refeições que faço nove têm legumes como acompanhamento.

 

Não me canso de testar possibilidades. Aliás, muitas vezes compro legumes sem sequer saber o destino que lhes vou dar. Assim que os tiver em casa logo descubro ou invento alguma coisa... Vou tirando ideias daqui e dali e experimentando saltear isto ou assar aquilo.

 

Já tive experiências ótimas e experiências menos boas. Estou a lembrar-me da cherovia (ou pastinaca): não descansei enquanto não experimentei, mas depois de fazer cá em casa não fiquei propriamente fã. (Mas se nunca experimentou dê-lhe uma oportunidade. É muito saudável, e além disso há muita gente que adora!) Outra história completamente diferente é a das acelgas: quem me dera encontrá-las mais vezes à venda...

 

Ora, por falar em testes, o mais recente foi com couve-flor. Eu sei que a couve-flor não é propriamente uma novidade, vá. Cozida é ótima, gratinada é ótima, na sopa é ótima. Eu ainda não tinha experimentado era em puré... E então no sábado peguei na couve-flor que tinha ali no frigorífico, biológica, grande e linda, e lá me aventurei.

 

Puré de couve-flor e ricotta.

 

Bom: eu adoro puré de batata. Adoro. Desde miúda. Costumo dizer, meio a brincar meio a sério, que para mim puré de batata é como mousse de chocolate – ponham-me uma taça grande à frente e deixem-me estar, que eu não preciso de mais nada para ser feliz. A questão é que no sábado o puré de couve-flor teve entrada direta para esta história. É tão bom, tão bom, TÃO BOM... Eu não sei se é do alho assado, se é mesmo da couve, se é daquele bocadinho de ricotta... Não sei. Deve ser de tudo ao mesmo tempo. Mas que isto foi o melhor acompanhamento que eu experimentei em muito tempo... Isso foi. É o sabor que se sente assim que se prova, é o sabor que fica na boca depois, é a textura... Isto é comida de conforto feita de legumes. A sério. É guloseima. Se tiver aí uma couve-flor à espera de destino, nem pense uma vez, quanto mais duas. E, se não tiver, compre uma e faça isto. Amanhã.

 

A receita é do blog Little Broken. E é daquelas que não pode mesmo não experimentar. Vá por mim!

 

Puré de couve-flor e ricotta.

  

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Puré de couve-flor com ricotta

Ingredientes [para quatro pessoas]:

1 couve-flor grande (com cerca de 1,3 kg)

2 dentes de alho (médios ou grandes)

2 c. de sopa de manteiga

¼ de chávena de ricotta (normal – não use light)

Azeite, sal, pimenta preta e cebolinho q.b.

 

***

 

Para começar, aqueça o forno nos 200º C. Tire só a parte de baixo dos alhos, mas deixe-os com a casca. Embrulhe-os bem em papel de alumínio, com um fio de azeite a regar, e leve ao forno a assar durante 10 a 12 minutos. Quando esse tempo passar, tire os alhos do forno, descasque-os e reserve.

 

Enquanto os alhos assam, lava a couve-flor, separa-a em floretes e leva-a a cozer em água com sal. Estão prontos, já se sabe, quando picar com um garfo e estiverem moles. Depois de coar vai tapar com uma toalha de linho, ou com papel absorvente. A ideia e que a couve fique o mais seca possível.

 

O último passo é juntar no liquidificador a couve, o alho, o ricotta e a manteiga. Tempere com sal e pimenta e triture. No final, basta que retifique os temperos e pode servir. (Fica bonito decorado com cebolinho picado.)

 

Puré de couve-flor e ricotta.

  

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Notas:

* Na altura de triturar a couve, pode fazer tudo de uma vez ou em duas (ou mais) vezes. O meu liquidificador não tinha espaço suficiente para fazer tudo de uma assentada, por isso dividi em duas doses e no final misturei tudo.

 

* Quando o puré estiver pronto é possível que já esteja pouco mais que morno. Se assim for, pode aquecê-lo em banho-maria antes de servir.

 

* Para não ter de ligar o forno por causa de dois dentes de alho, aproveite para fazer este puré quando já tiver alguma coisa a assar. Não salte é, por favor, a parte do alho assado. O sabor faz toda a diferença.

 

* Como acompanhamento este puré serve para aquilo que serviria um puré de batata. Eu fiz, como já se viu, para acompanhar frango assado no forno (a receita chega em breve).

20
Out17

A massa de pizza mais fácil de sempre.

A massa de pizza mais fácil de sempre.

 

Melhor que sexta-feira só sexta-feira com pizza no blogue.

 

Eu adoro pizza. Ponto. Porque é cheirosa e apetitosa. Porque é um dos cúmulos absolutos e supremos da comida de conforto. Porque aquece a cozinha, o estômago e até o coração.

 

É capaz de fazer mal, pois – mas se for só de vez em quando aposto que até faz bem.

 

Mas há pizzas e pizzas, não é? Já todos nós comemos aquela que, apesar de ser pizza (o que só por si devia garantir uma refeição feliz), não nos convenceu. Porque a massa isto, porque a cobertura aquilo... Por outro lado, também já aconteceu a todos descobrir aquela pizza. A melhor. A ideal. A que conjuga tudo na perfeição. E depois temos a pizzaria preferida, claro. E a combinação de ingredientes em que acabamos por apostar quase sempre. No meu caso, a estranheza suprema foi provar pizza com banana e adorar. Logo eu, que 1) nem sou de arriscar em pizzas e 2) não acho piadinha nenhuma a banana. Mas, no que toca a pizzas, foi o achado da minha vida em termos de ingredientes.

 

A massa de pizza mais fácil de sempre.

 

Mas é claro que pizza é mais do que a pizzaria preferida ou a encomenda de domingo à noite. Pizza pode ser mãos na massa e o forno aí de casa ligado. Porque pizza caseira é uma maravilha! E parece uma aventura mas não é. Mesmo sem massa de compra. Aliás, o assunto que me traz aqui hoje é mesmo esse, como se percebe pelo título deste post: uma massa simples-mais-simples-não-há. Faz-se em três tempos e só com dois ingredientes (o terceiro é sal – não conta).

 

A receita está espalhada por essa internet fora. Eu nunca a tinha testado, mas a verdade é que sempre que passava por ela lia maravilhas: quem a usa (e é muita gente!) chama-lhe a oitava maravilha da culinária italiana. Infalível, rapidíssima, deliciosa. E eu, que gosto de testar tudo e que já não comia pizza há meses, decidi experimentar. Resultado? É tudo verdade. Nada do que se diz sobre ela é exagero. Além de ser rápida de fazer e boa de comer, não dá para correr mal – bom, se nunca amassou nada na vida talvez seja melhor ter primeiro umas luzes de como se faz. Mas aqui "amassar" quase que nem é o termo...

 

Antes de irmos ao que mais interessa, só uma nota: esta massa não é aquela tipo miolo de pão. É, pelo contrário, a ideal para quem, como eu, gosta de pizzas de massa baixa e fininha. Se é o seu caso, faça isto ainda este fim de semana. Uma receita destas não pode ficar meses em espera! Não pode mesmo!

 

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sep receitas.pngMassa de pizza rápida, fácil e só com dois ingredientes (três, vá, mas o sal não conta)

Ingredientes [para 2 pizzas médias]:

1 chávena de iogurte grego natural e sem açúcar [são cerca de 3 iogurtes]

1 ½ chávenas (generosas) de farinha com fermento

1 pitada de sal

 

***

 

Para começar, pré-aqueça o forno nos 180º C.

 

Enquanto o forno aquece, junte todos os ingredientes numa taça. Depois amasse, até que a massa forme uma bola (não é preciso ficar muito dura – só que se descole das mãos com facilidade).

 

A massa de pizza mais fácil de sempre.

 

Divida a massa em duas partes. Depois, enfarinhe a bancada e estique os dois pedaços de massa com o rolo.

 

Quando a massa estiver esticada, transfira-a para o tabuleiro e leve ao forno 5 minutos. Depois, retire do forno e cubra com o que entender.

 

A massa de pizza mais fácil de sempre.

 

Por fim, vai levar as pizzas ao forno mais uns 10, 15 minutos – até que tudo esteja cozinhado.

 

A massa de pizza mais fácil de sempre.

 

E está pronto! É cortar e comer. Com moderação, sim... Mas seja feliz!

 

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Notas:

* Pode colocar ervas na massa, se quiser, para dar um saborzinho extra. Orégãos, manjericão, rosmaninho, tomilho, alecrim, uma mistura de tudo isto...

 

* Na cobertura das pizzas comecei com molho de tomate e mozzarella ralado, mas já se sabe que não faltam opções de molhos (hei de experimentar um à base de couve-flor!) e de queijos. E depois é o que o gosto e a imaginação mandarem ou o que o supermercado ou o frigorífico permitirem. Eu fiz duas versões: uma com cogumelos, fiambre e banana – ai, a banana! – e outra com bacon, mozarella em fatias e tomate cherry.

 

A massa de pizza mais fácil de sempre.

18
Out17

Nunca falha, o bacalhau.

Bacalhau à Brás

 

Quando eu era miúda não gostava lá muito de bacalhau. E mesmo hoje ainda não tenho aquela "paixão" por ele que aparentemente une 99% das almas lusitanas. Se emigrasse não seria, de todo, o alimento de que sentiria mais falta. Não é que não goste – porque gosto, e muito. Sobretudo de determinadas receitas. Mas daí àquela veneração tão portuguesa...

 

Voltando a quando eu era miúda e a quando não achava graça nenhuma a bacalhau: havia uma exceção. Era Bacalhau à Brás. Eu pedia à minha mãe, de coração, que ela fizesse bacalhau à Brás. Ora, ao contrário de mim a D. Fernanda põe o bacalhau acima de todas as coisas, mas no à Brás não estávamos de acordo. Eu adorava; ela nunca gostou muito. Mas às vezes lá fazia. E aquilo é que era dia de festa, para mim!

 

Desde aí já dei a volta completa. Primeiro deixei de gostar, depois voltei a gostar mas ficava enjoada sempre que comia, e por fim desisti mesmo de o comer.

 

Até ontem. Porque ontem, a pedido do mais-que-tudo, fiz bacalhau à Brás. Não estava propriamente entusiasmada com a ideia – pelo à Brás, não pelo bacalhau... Mas fiz as pazes com o dito! Ficou mesmo, mesmo bom. Nem seco, nem enjoativo, nem com gordura a mais, nem com sal a menos... Por incrível que me pudesse parecer antes de o provar, vai mesmo entrar para os pratos de bacalhau cá de casa. (Que são muitos, note-se – desde o bacalhau assado e desfiado a bacalhau espiritual, passando por salada de bacalhau e coentros ou bacalhau à Gomes de Sá.)

 

Bacalhau à Brás

 

É claro que isto se faz mais ou menos da mesma maneira em todo o lado. Mas fica aqui a receita cá de casa.

 

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Bacalhau à Brás

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 boas postas de bacalhau [cerca de 300 g no total]

160 g de batata palha

1 cebola grande

1 dente de alho

1 folha de louro

1 molhinho de salsa

5 a 6 ovos

Azeite, sal, vinho branco, pimenta branca e azeitonas q.b.

 

***

 

Bacalhau à Brás

 

Primeiro que tudo, desfie o bacalhau e reserve. (Não precisa de ficar com tiras finiiiinhas, mas também não quer bacalhau aos pedaços. No meio é que está a virtude...)

 

Num tacho, ou numa frigideira grande, coloque azeite e leve ao lume a aquecer. Quando estiver quente, junte a cebola picada (ou em meias-luas, se preferir), o alho e a folha de louro. Deixe o refogado dourar muito bem, refresque com um pouco de vinho branco, deixe ferver ligeiramente e a seguir junte o bacalhau e a salsa picada (reserve um pouco, para decorar). Mexa suavemente, tempere com pimenta branca, ponha o lume o mais baixo possível e deixe apurar, envolvendo com frequência. 

 

Passados uns cinco minutos (isto é, quando o bacalhau já tiver alguma cor e ar de cozinhado), junte 120 g de batata-palha. Envolva, envolva, envolva, e tire do lume. Procure a folha de louro e tire-a do tacho.

 

Bata os ovos com um pouco de sal e junte-os ao bacalhau. Junte também a batata-palha que ainda falta acrescentar. Misture, leve novamente o tacho ao lume (brando, para que os ovos não cozam demais) e continue a envolver.

 

Quando estiver pronto – não deixe passar do ponto, para não ficar com uma espécie de ovos mexidos em vez de um bacalhau cremoso – transfira para uma travessa e decore com a salsa que sobrou e com as azeitonas.

 

E está feito! :)

 

Bacalhau à Brás

 

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Notas:

* Se quiser comprar bacalhau já desfiado é claro que pode comprar! Eu é que sou eternamente pelo bacalhau comprado inteiro, que demolho em casa e ao qual depois vou dando diferentes destinos. Pesa menos na carteira e ganha muito em sabor.

 

* A quantidade de ovos é um bocadinho "a olho". E depende da consistência que preferir. Eu comecei com cinco e acabei por juntar mais um (eram M).

 

Bacalhau à Brás

17
Out17

Este não é só mais um bolo de chocolate.

Bolo de chocolate do Rudolph.

 

Ficou aqui prometida, ontem, a receita do bolo de chocolate que fiz para os anos da minha mãe. Hoje, aqui vem ela!

 

Este não é mesmo só mais um bolo de chocolate. E não o é por duas razões: os ingredientes (leva leitelho e uma quantidade pouco comum de fermento) e a textura com que fica no final.

 

Como aqui disse ontem, é um bolo mais para o húmido, leve, suave e não muito doce (porque, como também já disse, roubei quase metade à quantidade de açúcar).

 

A receita original é do Rudolph van Veen, esse guru holandês da cozinha em geral e das doçuras em particular. Tanto que já aprendi a ver aqueles programas! Além disso, já fiz pelo menos uma meia dúzia de receitas dele e a verdade é que todas saem bem e todas são ótimas.

 

Bolo de chocolate do Rudolph.

 

Além de ser delicioso e de ter a eterna versatilidade de um bolo de chocolate, este bolo ainda tem a vantagem de ser muito fácil e rápido de fazer. Vale mesmo a pena experimentar! Acredite que vai entrar de imediato para a lista de bolos (para o dia a dia ou para festas) aí de casa.

 

Vamos a isso? :)

 

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Bolo de chocolate do Rudolph*

* foi o nome que lhe dei no meu caderno das receitas

Ingredientes:

90 g de cacau em pó

300 ml de água

1 pitada de sal

300 g de açúcar

250 g de farinha

30 g de fermento em pó

3 ovos (M/L)

140 ml de óleo

350 ml de leitelho

1 c. de chá de extrato de baunilha

Manteiga q.b. [para untar a forma]

 

***

 

Para começar, trate logo da única parte "bicuda" desta receita: a água de cacau. Leve a água ao lume. Quando levantar fervura, verta-a aos poucos (mas é mesmo aos poucos-muito-poucos) sobre o cacau e vá mexendo muito bem. Eu sei que parece que não vai resultar nunca, mas não desespere – às tantas o cacau vai mesmo diluir. No final terá uma espécie de pasta de cacau, que tem de deixar arrefecer. (Não estranhe: depois de fria vai ficar mais espessa.)

 

A seguir, ponha o forno a aquecer nos 180º C. Unte uma forma de 26 cm com manteiga e forre o fundo com papel vegetal.

 

Depois, parta para a massa do bolo. É muito simples! Na taça em que vai bater tudo, misture os ingredientes secos (farinha, açúcar, fermento e sal). Depois, junte os ingredientes líquidos – os ovos, o extrato de baunilha, o óleo, o leitelho e a água de cacau. Quando já tiver tudo na taça, envolva devagar, por uns instantes, e depois bata. A ideia não é bater muito... Minuto e meio chega.

 

Feita a massa, é só verter na forma e levar ao forno cerca de uma hora. Aqui, o teste do palito não é 100% fiável, porque como o bolo é um nadinha húmido o palito vai sempre trazer umas migalhitas. É uma questão de bom senso... Se a massa estiver líquida, ou se ainda vier alguma colada ao palito, nem pensar em tirar do forno. Mas umas migalhitas aqui e ali não têm problema.

 

Bolo de chocolate do Rudolph.

 

 ---

 

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Ganache de chocolate preto

Ingredientes:

200 g de chocolate de culinária

100 ml de natas

 

Nada mais simples. Parta o chocolate em bocadinhos e coloque dentro de uma taça (resistente ao calor); leve as natas ao lume até começarem a ferver; verta as natas sobre o chocolate; deixe repousar uns dois minutos e a seguir mexa bem, com a ajuda de um batedor de varas. Assim que o chocolate estiver todo dissolvido, está pronta. Depois é só aguardar um bocadinho, para a ganache arrefecer até ter a consistência certa para rechear ou cobrir o bolo. Se a dada altura já tiver arrefecido demais, e por isso já estiver demasiado espessa para trabalhar com ela, leve-a um bocadinho ao microondas. Se tiverem de ser dois ou três bocadinhos, também não faz mal – mas mexa entretanto, para o chocolate não queimar.

 

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Notas:

* Para o bolo das fotografias eu fiz três doses. Três vezes a receita, portanto. Mas bolo a bolo! Esta massa é tão fofa que fazer um bolo grande para depois cortar não é mesmo uma opção viável... Se quer três camadas, tem de cozer três bolos.

 

* Se quiser espreitar a versão original da receita, com vídeo e tudo, está aqui. (Se ler inglês, copie o link e cole-o no Google Translate, com as opções Holandês-Inglês. É milagroso!) Mas eu só fiz o bolo. Não usei o mesmo creme – nem, escusado será dizer, a mesma decoração.

 

* Nesta receita convém mesmo usar leitelho. Não digo que o bolo não cresça se usar leite, ou iogurtes, ou natas azedas (sour cream), mas também não garanto que corra bem (não experimentei). Um dos segredos da leveza deste bolo está na combinação do leitelho com o fermento. A acidez do primeiro estimula o segundo. E isso faz toda a diferença... É verdade que o leitelho, além de não ser propriamente barato, não é fácil de encontrar. Eu só descobri no El Corte Inglés. Mas garanto que vale a pena o esforço!

 

* Quanto à decoração e ao interior do bolo, está tudo no meu post de ontem.

 

Bolo de chocolate do Rudolph.

16
Out17

O bolo de anos da minha mãe.

O bolo de anos da minha mãe.

 

A minha mãe fez 60 anos na sexta-feira. Naquilo que foi um empenho familiar notável, umas 30 pessoas (ou mais) sabiam do jantar surpresa que eu lhe estava a organizar e ainda assim ela não desconfiou de rigorosamente nada até ao último segundo. Foi muita emoção. Lá isso foi. Para ela, acima de tudo, mas também para todos os presentes. Sinto que o trabalho e o esforço valeram a pena (parecendo que não, no final da noite e no dia seguinte estava de rastos, tal era o cansaço acumulado – pela saga do jantar e por muitas outras coisas). A noite foi feliz e radiosa, para a aniversariante e para todos os que a surpreenderam.

 

Presentes não faltaram, é claro. Foram, sobretudo, livros, entre vários outros mimos. E houve também esta peça linda:

 

Escultura

 

Pedi a uma grande amiga, com um coração e um talento enormes, que ma esculpisse. É barro. E é um belo retrato de amor.

 

(Em breve esta minha amiga vai ter um site todo catita. Depois mostro. :) )

 

---

 

Aniversário que é aniversário pede bolo. Aniversário dos 60 anos e que envolve jantar surpresa pede um senhor bolo. Estive até à última da hora sem saber bem com quem contava para os "Parabéns", e por isso pela certa tive de fazer um bolo generoso – por generoso entenda-se coisa aí de uns 3,5 kg...

 

O bolo de anos da minha mãe.

 

As fotografias (amanhã há mais) não são bonitas porque, caramba, era o jantar de aniversário minha mãe. Preocupei-me mais com isso do que com cenários lindos e luzes ideais e ângulos perfeitos. Foi de tal ordem que nem consegui tirar fotografias a uma única fatia de bolo! Mas eu descrevo, para perceberem as coisas boas que se passavam ali dentro:

 

     * Três camadas de bolo fudge de chocolate;

     * Ganache de chocolate entre a camada inferior e a do meio, com morangos fatiados;

     * Doce de frutos vermelhos entre a camada do meio e a superior;

     * Mais ganache de chocolate na cobertura.

 

Quando acabei de "montar" o bolo, e ainda antes de o decorar, não fiquei lá muito contente. Não sei... Acho que tinha feito planos brilhantes e que depois o resultado não me parecia assim tão luminoso. Mas a verdade é que quando a decoração ficou pronta mudei de opinião. Se é um bolo artisticamente perfeito? Não. Se a decoração o tornou lindo e amoroso? Sem dúvida. Se o sabor convenceu? A-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e.

 

Era um bolo meio húmido, mas nada pesado. E... Bom! É a única palavra que me ocorre. ;) Não ficou muito doce porque roubei quase metade à quantidade de açúcar da receita original (o que não prejudicou o resultado final em termos de textura e evitou que se tornasse enjoativo), e também porque a ganache era de chocolate preto. Por outro lado, aqueles morangos ali no meio deram-lhe um toque ácido muito simpático.

 

Falando da decoração, e porque mesmo naquela noite me fizeram algumas perguntas:

 

     * A vela veio pelo eBay (há lojas de bolos que vendem velas destas, mas eu não consegui encontrar uma assim, com o 60 "todo junto");

     * O topo de bolo a dizer "Parabéns" foi feito por mim (segui este esquema, mas como o material que usei não foi exatamente o mesmo acabei por ter de inventar um bocadinho);

     * As pérolas brancas vieram do Carrefour de Badajoz (cá encontram-se, claro, em lojas de bolos – mas lá saem muito baratas, e como eu lá estive...).

 

A receita chega amanhã, porque este post já vai longo. E além disso um bolo destes bem merece dois posts, ou não?

 

(Prometo que a espera vai valer a pena. O bolo é fácil de fazer e resulta mesmo, mesmo muito bem.)

11
Out17

Mel, cogumelos, leitelho e uma carne com o seu quê de outono.

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

 

Estou numa daquelas semanas de levantar cedo, deitar tarde e apagar 17 fogos por dia. As coisas nem sempre vêm, mas quando vêm gostam de vir todas ao mesmo tempo. Nada de doses homeopáticas.

 

É evidente que, com tanta coisa e tanta coisinha, o tempo para cozinhar é pouco. Aliás, o tempo é pouco, ponto. Para cozinhar e para tudo. São obras em casa, é um bolo de anos que mais parece o meu projeto de vida, é um jantar de aniversário com tudo o que tal coisa envolve e que se tornou numa complexa teia de aldrabices (porque é surpresa, note-se), é família que chega a Lisboa, é presentes para ir buscar, é exames de rotina... Tenho muitos post-its digitais e outros tantos na cabeça. E tenho aquela sensação permanente de que me está a escapar qualquer coisa.

 

No meio desta lufa-lufa, do vai aqui/segue para ali/corre para acolá/compra isto/faz aquilo/liga a X/avisa Y/vai ter com Z, escusado será dizer que as experiências na cozinha ficaram em stand-by por estes dias. Para a semana volta tudo ao normal, mas nesta é difícil conseguir mais do que uma sopa ao jantar e um peixinho grelhado ou uma salada ao almoço. Ainda assim, ontem deu para um pouco mais, naquele que foi o meu último intervalo sem afazeres até sábado. Por um pouco mais entenda-se estufar carne, improvisando em tudo o resto – precisava de espaço no frigorífico e de gastar várias coisas. E foi assim que saiu esta preciosidade. Ervas, leitelho, mel, vinho tinto... Tudo em bom! Ao calhas, mas bom. :) É um prato com qualquer coisa de outono, na cor e até no sabor. No meio do caos e com algum cansaço à mistura, foi revigorante fazê-lo e comê-lo.

 

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

 

 ---

 

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Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

Ingredientes [para duas pessoas]:

400 g de carne de vaca para estufar em cubinhos

1 cebola média

2 dentes de alho

1 folha de louro

2. c de sobremesa de tomilho

2 c. de sobremesa de segurelha

2 dl de vinho tinto

1 cenoura grande

12 mini tomates-chucha

Azeite, sal e pimenta preta q.b.

3 dl de leitelho

3 c. de chá de mel

200 g de cogumelos marron

 

***

 

A preparação é muito simples. Basta colocar, num tacho, uma cama de cebola em meias-luas com o azeite. Por cima vai pôr a carne e todos os outros ingredientes, menos o leitelho, o mel e os cogumelos. A cenoura vai cortada em rodelas fininhas, ou meias-luas, e os tomates são cortados a meio e espremidos lá para dentro.

 

Quando já tiver tudo no tacho, tapa-o e leva ao lume, para estufar. De início pode ter o lume um bocadinho mais forte; depois, reduza e deixe estufar lentamente, para que a carne não fique dura. Vá mexendo de vez em quando.

 

Entretanto, arranje os cogumelos e reserve. (Eu parti os meus em quatro, porque gosto de apanhar aqueles pedaços gordinhos e suculentos.)

 

Cerca de uma hora depois, apague o lume, deixe arrefecer ligeiramente e junte o leitelho, aos poucos. (O dito tem alguma tendência a talhar, daí que possa não ser boa ideia fazer isto com o lume aceso.) Junte também o mel e misture. Por fim, entram os cogumelos.

 

Leve novamente ao lume, para o molho já com o leitelho apurar e os cogumelos cozinharem. Uns dez minutos devem chegar.

 

E está prontinho!

 

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

 

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Notas:

* Usei leitelho porque tinha sobrado de uma outra receita aqui há uns dias. Nem sabia muito bem como ia correr com a carne, mas não correu mal – pelo contrário! Seja como for, pode substituir por natas, cremes vegetais ou iogurtes, sem problema. Se quiser mesmo experimentar com o leitelho, há à venda no supermercado do El Corte Inglés. E já agora: há uma maneira de fazer leitelho em casa, a partir de leite e sumo de limão. Eu já experimentei, mas não fiquei absolutamente convencida. Tenho de voltar a testar.

 

* Cogumelos marron ou outros que aí tenha ou de que goste mais! Eu tinha destes e por isso foi destes que usei.

 

* Noutras circunstâncias teria feito isto com tomate em calda. Mas tinha ali uns tomates cherry pequeninos e bons mas bons! Por isso...

 

* Não sei se é fácil encontrar segurelha à venda. Eu costumo comprar no "meu" talho, que tem um expositor cheio de saquinhos de ervas. São biológicas, secas ao natural e mesmo muito saborosas (não têm nem um bocadinho que ver com as que se compram nos supermercados). Claro que serem frescas é o ideal, mas à falta de melhor...

09
Out17

A marinada que salva os bifes grelhados.

A marinada que salva os bifes grelhados.

 

Menos é mais. Quanto mais simples melhor.

 

É verdade, sim. Em quase tudo. Mas na cozinha há tanto, tantos sabores, tantas conjugações, tantas possibilidades, que é uma pena não ir um pouco mais além quando se pode. É claro que o "demais" também existe nos tachos. Mas acho que o problema, na maioria das vezes, nem está nas muitas coisas – está nas más combinações entre elas.

 

Cá em casa nenhum de nós é graaaande fã de bifes de vaca (embora eu ache piada a algumas variações, vá). Tudo somado, acho que comemos para aí um bife por ano. Dois, no máximo. Não é que não gostemos... Mas há tantas coisas melhores, mais saborosas, mais "divertidas", que o bife é sempre o parente pobre. Bife frito, então, nunca (mas isso também é porque há muito pouca coisa que se frite neste lar).

 

Bom, os nossos bifes de 2017 foram feitos ontem ao almoço. Grelhados, claro. Mas não ficaram aquela coisa meio desengraçada do bife que leva sal, vai à chapa e pronto. Quando os grelho, normalmente o tempero não se fica pelo sal. E a prova de que ficam mesmo bons é que no fim até nos apetece comer mais um bocadinho ou repetir daí a uns dias. Mesmo sendo meio avessos a bifes.

 

São bifes grelhados, mas quase que parecem fritos. Quem gostar de bifes que experimente já isto. E quem não gostar que experimente também. Resulta! A sério!

 A marinada que salva os bifes grelhados.

 

(É quase tonto pôr uma receita de bifes grelhados num blog, não é? Mas aqui o que importa mesmo é a marinada.)

 

---

 

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Bifes de vaca grelhados com mel e molho de soja

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 bifes de vaca

Sal, pimenta preta, orégãos e azeite q.b.

1 dente de alho grande

100 ml de molho de soja

50 ml de vinho branco

1 c. de sopa de mel

 

***

 

Pois é. Esta receita esgota-se na marinada, basicamente. E não tem nada, mesmo nada, que saber: meia hora antes de cozinhar os bifes, tempere-os com sal, o dente de alho, pimenta preta, orégãos, um fiozinho de azeite, o mel, o vinho branco e o molho de soja. Envolva tudo muito bem e reserve até serem horas de grelhar.

 

Depois, é só aquecer o grelhador e passar os bifes a gosto (cá em casa somos pelo médio/mal passado – um minuto de cada lado, ou nem tanto se os bifes forem fininhos).

 

E pronto. Está feito. Eu bem disse: ciência zero, aqui. O truque é mesmo a marinada, que transforma um bife grelhado n'O bife grelhado.

 

Bom apetite!

 

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Notas:

* Se preferir fritar os bifes esta marinada também resulta bem.

 

* Para que os bifes fiquem mesmo suculentos é preferível não os temperar com muita antecedência. O sal tende a secar os alimentos – e em bifes fininhos isso acontece muito mais depressa. Aqui, como há vinho e outros líquidos à mistura, não é tão grave. Mas a meia hora de tempero chega bem.

 

* Em vez do vinho branco pode usar vinho tinto. Ou moscatel. Ou vinho do Porto. Experimente vários sabores e ajuste as quantidades ao seu gosto.

 

* Se aumentar um pouco as quantidades da marinada pode depois aproveitar os líquidos e levar ao lume a reduzir. Fica com um molhinho bem bom!

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Sofia.

Mais Gulinha.

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