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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

30
Jan18

Eis a comida de conforto perfeita para uma noite de inverno.

Chowder de frango. 

Chowder.

 

(Antes de continuar: as fotografias não fazem jus à delícia que isto é. Era de noite, a luz não ajudava... Mas que isso não seja motivo para desmotivação: isto é mesmo, mesmo, m-e-s-m-o bom. Vá por mim.)

 

Chowder é sopa. Mas não é sopa assim como sopinha de legumes, nem como canja. É sopa que serve – se serve! – de prato principal. E chowder é conforto. E sabor. E quentinho no estômago e até no coração.

 

Eu sei. Parece que me deu para a poesia. Mas a culpa disto é dele – do chowder. Ou melhor: primeiro que tudo, a culpa é do Jamie Oliver, que é o autor desta receita (que eu adaptei ligeiramente).

 

Chowders há muitos. Feitos com muitos ingredientes diferentes. Tudo me parece francamente promissor, e hei de experimentar outras receitas. Mas cá em casa adorámos esta! (Como já se percebeu...)

 

Nas versões mais típicas o chowder é uma sopa rica feita com leite, peixe e alguns legumes. Esta versão é de frango. E é – mesmo, mesmo – o prato ideal para uma noite invernosa. Aproveite este frio, que teima em não se ir embora, e experimente! Vai ver que vale a pena, e que o chowder vai passar a ser receita de inverno obrigatória aí em casa.

 

Chowder de frango.

 

---

 

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Chowder de frango

Ingredientes [para quatro pessoas]:

2 peitos de frangos cortados em cubinhos

2 fatias de bacon picadas

1 alho-francês grande picado

1 cebola grande picada

1 dente de alho grande esmagado

2 c. de sopa de azeite

2 c. de chá de manteiga

2 cenouras médias picadas

2 batatas grandes cortadas em cubinhos

2 c. de sopa de farinha

400 ml de caldo de galinha

400 ml de leite meio-gordo

Sal, pimenta preta e manjericão q.b.

 

***

 

Ideia-chave: corte e pique tudo antes de começar. É essencial para isto fluir. ;)


Num tacho grande deite uma colher de sopa de azeite e cozinhe ligeiramente a cebola, em lume brando, só até ficar macia. Junte depois a manteiga, o alho-francês, o alho, as cenouras, o bacon e o frango. Mantenha o lume baixo e vá mexendo esta mistura até que já não haja pedaços de frango com partes rosadas. Tempere entretanto com sal, pimenta preta e manjericão.

 

Quando o frango estiver no ponto certo, junte a farinha e mexa bem. Depois deite o leite e o caldo de galinha no tacho. Quando o líquido começar a fervilhar, entram as batatas. Deixe cozinhar, a ferver devagarinho, aí uns vinte minutos. Vá sempre mexendo, porque o creme tem tendência a pegar.

 

Assim que as batatas estiverem cozidas, retifique os temperos e sirva o chowder.

 

Chowder de frango.

 

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Notas:

*A receita original leva o dobro da farinha. Mas para mim a mistura acaba por ficar demasiado espessa...

23
Jan18

Sol de inverno numa tarte.

Tarte de maçã.

 

Que bom que é fotografar com sol. Eu não percebo nada de nada de nada do assunto, mas que a comida fica logo mais bonita, mesmo sem grandes enquadramentos... Isso fica.

 

Quanto a esta tarte de maçã, também ela é sol. Na mesa e no coração. É linda, douradinha, suave, leve e deliciosa. Fica doce q.b. – nem muito nem pouco. E é tão fácil de fazer! Mas fácil assim do género mais fácil era impossível. A sério. Mesmo quem não faz sobremesas porque isto e porque aquilo pode avançar para esta à confiança. Não tem por onde correr mal! E uma tarte de maçã nunca desaponta... Muito menos esta. Pode bem ser a solução ideal se, por exemplo, vai jantar a casa de alguém e quer levar alguma coisa que agrade a meio mundo e provavelmente a outro meio e que esteja no forno dez minutos depois de pôr o avental. Ou se tem um almoço aí em casa e entre entradas e pratos fica com pouco tempo para "saídas".

 

(E, sendo tarte de maçã, há sempre aquele lado psicológico do "é mais ou menos fruta...".)

 

A receita não é nova. Muito menos é minha. Tem anos e anos e existe, com pequenos "twists", em muitas casas. E em muitos blogs. E em muitos sites. Mas fica aqui, também – mais não seja para que eu nunca a perca, que esta é daquelas que dá sempre jeito ter à mão!

 

Tarte de maçã.

 

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Tarte de maçã (rápida e fácil)

Ingredientes:

1 base de massa quebrada ou areada

3 a 5 maçãs reinetas

2 ovos

1 pacote de natas (ou de creme de soja)

3 c. de sopa de açúcar mascavado

Canela q.b.

 

***

 

Tarte de maçã.

 

Antes de preparar a tarte, coloque o forno a aquecer nos 180º C e retire a massa do frigorífico.

 

Descasque as maçãs e corte-as em oito pedaços (ou, provavelmente, mais finas – mas depende do tamanho delas).

 

Numa taça misture bem, mas sem bater, as natas/o creme de soja, os ovos e o açúcar.

 

Coloque a massa numa tarteira e pique o fundo com um garfo. A seguir vai lá colocar as fatias de maçã, bem arrumadinhas (fica bonito e coze tudo por igual). Depois polvilha a maçã com canela (a gosto – eu devo ter usado aí umas duas colheres de sobremesa...) e por cima deita o creme. Se houver pedacinhos de maçã muito "à tona", é pressioná-los ligeiramente, para que não fiquem demasiado tostados.

 

Para evitar que a massa queime (e também para a tarte ficar mais bonitinha) dobre-lhe os bordos para dentro.

 

E está tudo feito! É só levar ao forno até a massa dourar e o creme cozer. Isto vê-se a olho: quando o líquido já não "abanar", está pronto. Uns 25 minutos devem chegar, mas varia muito de forno para forno.

 

Tarte de maçã.

 

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Notas:

* Eu usei creme de soja, e a tarte ficou ótima – mas o resultado final é bastante diferente se se usarem natas. Aliás, eu uso creme vegetal quase sempre e acho que nunca notei tanto as diferenças como nesta tarte. Com creme de soja o sabor fica mais suave; com natas, a tarte é mais "gulosa"... ;)

 

* A receita habitual leva entre duas e três colheres de sopa de açúcar branco. Mas eu tenho um amor especial por aquele "travo" do açúcar mascavado, por isso decidi usá-lo aqui. E resultou muito bem.

 

* Dependendo do tamanho da tarteira, pode ser preciso acrescentar mais um ovo e mais meio pacote de natas/creme de soja (e eventualmente mais um bocadinho de açúcar).

16
Jan18

Não diga a ninguém, mas isto é massa com legumes.

Mac & cheese de legumes.

 

É. É mesmo. E é das melhores invenções de sempre, sobretudo para quem tem criançada em casa e passa um tormento para os fazer engolir uma rodela de cenoura que seja. Aqui há cenoura, precisamente. E também há abóbora e couve-flor. E ainda há cogumelos.

 

Além de esta receita de "mac & cheese" meio a fingir (que descobri no BuzzFeed)  ser fácil de fazer – é mesmo –, tem aquele lado feliz de ser comida de conforto com muitos legumes lá pelo meio. Engana-se os miúdos, pois. Mas a verdade é que até nós acabamos por nos deixar enganar! E depois, quando nos lembramos de que isto está cheio de coisas que fazem bem, sentimo-nos ainda melhor.

 

Mesmo tendo um prato de massa à frente.

 

Que leva queijo. "Algum" queijo.

 

Mas também leva cenouras, e abóbora, e couve-flor, e cogumelos! Portanto... ;)

 

Resumindo: muitos legumes, forno ligado (no inverno é tão bom, não é?), conforto e simplicidade. Não podia ser melhor!

 

Mac & cheese de legumes.

 

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"Mac & cheese" de legumes

Ingredientes [para seis pessoas]:

450 g de massa cozida (cotovelinhos, espirais, penne, búzios, macarrão, ...)

1 a 2 chávenas de couve-flor (em floretes)

1 a 2 chávenas de abóbora-manteiga (em cubos)

1 a 2 chávenas de cenouras (em rodelas)

200 g de cogumelos shiitake

2 chávenas de leite

2 chávenas de queijo ralado

115 g de queijo creme light

Azeite, sal e alho em pó q.b.

 

***

 

Mac & cheese de legumes.

 

Para começar, há que cozer os legumes num tacho grande e largo. Simples, até aqui (e continua).

 

Enquanto os legumes cozem, pré-aqueça o forno, aí nos 200º C. E aproveite também para saltear os cogumelos num pouco de azeite, temperados com sal e alho em pó. Assim que estiverem prontos, reserve.

 

Quando os legumes cozerem, há que triturá-los – com a varinha mágica, num processador de alimentos, num liquidificador... Onde preferir. Pode ser necessário triturar em duas ou três vezes. Para ajudar, junte meia chávena da água da cozedura.

 

A seguir, deite este creme para o tacho onde os legumes cozeram. Leve a lume médio, médio-baixo, e junte o queijo creme e o leite. Vá mexendo e juntando também o queijo ralado (em duas ou três vezes, para ser mais fácil ir mexendo e deixando derreter). Reserve um pouco, para polvilhar.

 

Assim que o creme de legumes estiver suave, sem pedaços de queijo inteiros, só tem de juntar a massa e os cogumelos e envolver bem. Depois basta passar tudo para um tabuleiro, polvilhar com o queijo que reservou e levar ao forno até gratinar.

 

E está feito! Junte a família à mesa, não diga a ninguém o que usou para fazer aquele molho e aprecie – a massa e os palpites que cada um vai dar. ;)

 

Mac & cheese de legumes.

 

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Notas:

* Eu acrescentei cogumelos à receita original para ter ali qualquer coisa além de massa e molho. Não têm de ser shiitake – eu usei desses porque tinha cá em casa, mas pode usar outros. Também pode, em vez de cogumelos, juntar outros ingredientes: pedaços de couve-flor, cenoura e/ou abóbora inteiros, outros legumes, bacon em tiras... Ou pode ainda manter-se fiel à receita original – o creme de legumes, a massa e mais nada. De certeza que é bom na mesma.

 

* Quanto ao queijo ralado, use o que tiver à mão ou aquele de que gostar mais. Só um, uma mistura... Como preferir. (Eu usei emmental.)

 

Mac & cheese de legumes.

11
Jan18

Ano novo, brinquedos novos – e uma receita com um nome giro.

Shakshuka.

 

Pedi brinquedos ao Pai Natal cá de casa. E ele foi, como é sempre, muito generoso. Pedi uma frigideira em ferro fundido (essa coisa linda e retro-vintage que inundou Instagrams, Pinterests e blogs desta vida) e o Pai Natal trouxe; pedi mini-cocottes da Le Creuset e o Pai Natal não trouxe – entusiasmou-se e em vez disso trouxe-me uma cocotte das grandes.

 

Cocotte Le Creuset

 

(E pedi livros de receitas e o Pai Natal trouxe, e não pedi uma balança antiga linda-mas-linda mas o Pai Natal também trouxe...)

 

Ora, como é que se agradecem presentes destes? Com muito amor e com muitas receitas boas!

 

Para o arranque do Gulinha neste novo ano, voltemos ali atrás, à frigideira de ferro fundido. Além de, sim, ser uma das coqueluches (isto ainda se diz?) da Internet, tem a vantagem clara de tudo o que é em ferro: dá para fogão (a gás ou elétrico) e forno. Ou seja, dá para começar uma receita em cima e acabá-la em baixo. (...) E dura uma vida!

 

É verdade que estas meninas têm, pelo menos cá, o problema do preço. Se queremos apostar numa marca que nos ofereça garantias temos de pagar qualquer coisa por isso – sendo que lá fora há ótimas alternativas por bons preços, só que os portes estragam tudo. A sorte foi que, semanas antes do Natal, andava eu por essa Amazon fora a namorar frigideirinhas quando encontrei uma da Kitchen Craft no site espanhol a um preço lindo de morrer. Parecia mentira. E então, lá está, dei a dica ao Pai Natal, explicando-lhe que aquilo era um ótimo negócio. Pronto, e o resto da história já se sabe qual foi...

 

Brinquedo novo, ideias novas. Montes delas. Mas na verdade a estreia da frigideira aconteceu meio por acaso, numa daquelas noites pós-festividades em que não havia sopa feita (fazer sopa no Natal até deve ser pecado) e era preciso desencantar uma ideia simples para o jantar. Meia dúzia de pesquisas por sites e blogs e cheguei à shakshuka. Isso: à shakshuka. E ainda bem que cheguei!

 

Para quem não sabe o que é e se dá bem com o inglês, há este magnífico artigo do The Guardian, que explica tudinho. Mas, resumindo, a shakshuka é um prato com raízes no norte de África e em Israel, que tem como base das bases tomate e ovos. Juntam-se ervas e alguns outros temperos e está feito. Serve, dependendo de onde é feito, de pequeno-almoço, entrada ou prato principal. É tudo cozinhado – e servido – no mesmo recipiente (no caso, na dita frigideira).

 

É bom? Se é! Aliás, é bem melhor do que o que eu esperava. Quer dizer, inicialmente o conceito até me convenceu – caso contrário eu não tinha experimentado. Mas enquanto estava a cozinhar só pensava «então mas isto é molho de tomate com ovos em cima...». Só que não é. Parece, mas não é. É muito mais. E muito melhor.

 

Como fiz isto à experiência, fiquei-me pela versão mais básica (vi várias receitas, e mais uma vez a do Guardian ganhou – de acordo com os entendidos no assunto, reúne todos os essenciais e não vai em nada além deles). E nem sei se me apetece experimentar mais alguma – gostámos tanto, tanto desta!

 

Shakshuka.

 

---

 

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Shakshuka

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 c. de sopa de azeite

½ cebola grande, bem picadinha

3/4 pimento vermelho em cubinhos

1 dente de alho esmagado

1 c. de chá de colorau

1 pitada de cominhos

1/4 c. de café de pimenta-de-caiena

400 g de tomate muito maduro ou em calda

1 c. de sopa mal cheia de açúcar

½ c. de sopa de sumo de limão

2 a 4 ovos

Coentros picados q.b.

 

***

 

Shakshuka.

 

Para começar, aqueça o azeite em lume médio. (Se usar um recipiente em ferro, não se esqueça de o pôr a aquecer aí minuto e meio antes de colocar o azeite.) Junte depois a cebola e deixe-a cozinhar até começar a ficar douradinha. A seguir vai juntar o pimento e deixar refogar mais um pouco. Quando o pimento estiver suave, junte o alho e as especiarias, mexa e deixe cozinhar por mais uns dois minutos.

 

Depois, vai juntar o tomate e desfazê-lo já na frigideira (ou no tacho), com a ajuda da colher, e vai também envolver o açúcar. Baixe o lume o mais possível e deixe tudo a fervilhar (devagarinho, quase nada) durante uma meia horinha. Vá mexendo, para que não pegue, e retifique os temperos.

 

Passada a meia hora, abra espaços neste "molho" (um por cada ovo). Com todo o amor e carinho, para não rebentar a gema, abra os ovos para esses espacinhos. Tempere-os só com um pouquinho de sal e pimenta. Mantenha o lume muito baixo, tape e deixe que os ovos cozinhem por uns 10 minutos – a ideia é ficar com a clara cozinhada e a gema líquida.

 

Assim que os ovos estiverem prontos, apague o lume. Salpique com o sumo de limão e os coentros picados e sirva com pãozinho acabado de torrar.

 

Simples, leve e d-e-l-i-c-i-o-s-o!

 

Shakshuka.

 

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Notas:

* A pimenta-de-caiena é, digamos, intensa. Por isso, se não estiver habituado a usar, vá com calma, está bem? Comece por ¼ de colher de café e se lhe parecer bem junte depois mais um pouco. Antes isso do que fazer um petisco todo bonito mas impossível de comer. ;)

 

* Em vez de coentros, pode usar salsa. Ou até experimentar juntar louro ou tomilho. Além disso, há também quem use canela.

 

* Ainda sobre os temperos: eu uso cominhos em doses "homeopáticas". Temos uma relação complicada – falando bem e depressa, tudo o que me sabe a cominhos sabe-me a morcela. E eu gosto de morcela! Não acho é muita piada a comida que não a tem lá pelo meio e que mesmo assim lhe toma o sabor. E os cominhos são muuuuito fortes, já se sabe... Daí que tenha sugerido uma pitada. Ponha a gosto. (Eu só não saltei essa parte porque, visto que estava a experimentar a receita, quis-lhe ser o mais fiel possível... E verdade seja dita que pus tão mas tão poucos que o sabor acabou por nem se notar.)

 

* O tomate, como escrevi lá em cima, é a base das bases. O pimento é a "base número 2" – segundo percebi na receita israelita também é essencial, aliás. Mas a partir daqui vale tudo: batata, feijão, milho, alcachofras, courgete... É correr as internetes desta vida e há ideias diferentes para um mês de refeições.

Sofia.

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