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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

26
Mai20

Aquele (ler com a entoação certa) bolo de banana.

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Declaração de interesses número 1: eu não sou lá grande fã de banana. Se a comer com queijo ou em pizza (a descoberta da minha vida), sou feliz. Mas é só. Uma banana assim, sozinha, descascada e comida, para mim é um fastio. E acho tudo o que é à base de banana entre mau e péssimo: batidos, iogurtes, sobremesas em geral (tirando a mousse que a minha mãe faz – que saudades!!), o próprio cheiro.

 

Declaração de interesses número 2: naturalmente, já fiz e já provei vários bolos/pães de banana mas nenhum me convenceu.

 

Até fazer este.

 

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Banana, coco (em teoria – na prática o sabor não se sente), mel e chocolate (porque sim). É um bolinho fácil de fazer e delicioso, criado pela minha amiga (cá em casa já a tratamos assim) do Half Baked Harvest. E é a solução ideal para aquelas bananas muito escurinhas que estão aí na fruteira quase a ir desta para melhor. Fez um sucesso muito grande cá em casa, e também noutras casas em que já experimentaram a receita.

 

Vamos lá? :)

 

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Bolo de banana, coco e chocolate

Ingredientes:

4 bananas maduras esmagadas

¼ de chávena de óleo de coco (derretido)

¼ de chávena de mel

2 ovos

2 c.de chá de extrato de baunilha

1 + ½ chávenas de farinha

1 + ½ c. de chá de bicarbonato de sódio

1 c. de chá de canela em pó

½ c. de chá de sal grosso

1 chávena de chocolate preto partido grosseiramente em pedaços (+/- 180 g)

 

***

 

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Esta receita começa como todas as receitas de forno: com o dito a pré-aquecer. Desta vez é nos 175º C.

 

E, como todas as receitas de bolo, untar a forma é o passo a seguir. A ideia é usar uma forma de bolo inglês, e além de a untar forrá-la também com papel vegetal.

 

Agora, numa taça vai misturar as bananas esmagadas, o óleo de coco, o mel, os ovos e a baunilha. Depois vai juntar a farinha, o bicarbonato de sódio, a canela e o sal, e misturar novamente. A seguir junte os pedaços de chocolate e envolva, para os distribuir bem pela massa.

 

E pronto. Está feito. É só deitar a massa na forma e levá-la ao forno por uns 40 a 50 minutos (o teste do palito nunca falha, mas não abra a porta antes dos 40 minutos). Quando o bolo estiver pronto, tire-o do forno, deixe-o arrefecer meia hora... E vá-se a ele! Vale muito a pena experimentar quando ainda está morninho!

 

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19
Mai20

Brie. Risotto que não é para mexer. É preciso dizer mais alguma coisa?

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Risotto. De brie. Com cogumelos. Sem mexer. Tudo certo, aqui, não é?

 

Tinha esta receita à espera de ser feita há já algum tempo. Tinha tanta certeza de que ia ser ótima que quis guardá-la para um dia especial. Guardei. Mas quando a fiz confesso que até eu fiquei supreendida – era ainda melhor do que o que eu imaginava, sendo que eu já imaginava que ia jantar muito, muito bem nessa noite.

 

A ideia inicial é do infalível Half Baked Harvest, mas decidi dar-lhe duas ou três voltas. E nem vou dizer mais nada. "Ala" para a receita, que até as fotografias falam por si. A lista de ingredientes é um bocadinho longa, mas nada tema – este risotto é rápido e muito fácil de fazer.

 

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Risotto (assim mesmo muito fácil) de cogumelos e brie

Ingredientes [para seis pessoas]:

6 chávenas de caldo de frango ou de legumes (mas pela certa tenha sete a jeito)

3 c. de sopa de azeite

5 c. de sopa de manteiga com sal

3 dentes de alho picados ou esmagados

2 chávenas de arroz para risotto (eu usei arbório)

1 chávena de vinho branco

Sal q.b.

1 c. de sopa de raspas de laranja + 3 c. de sopa de sumo

¼ de chávena de queijo parmesão ralado

1 triângulo de queijo brie (200 g) cortado em cubos não muito grandes

600 g de cogumelos frescos

2 c. chá de tomilho seco (ou 2 c. de sopa tomilho fresco)

Pimenta preta q.b.

 

***

 

Primeiro que tudo, tenha o caldo bem quente, pronto a usar.

 

Aqueça duas colheres de sopa de azeite e duas colheres de sopa de manteiga num tacho grande, com o lume médio-alto. Junte dois dos dentes de alho e deixe-os começar a soltar aquele cheirinho bom – com cuidado, para não queimar. Junte o arroz (sem lavar!) e vá misturando durante dois a três minutos, até começar a ver algumas pontinhas tostadas. Nessa altura, vai juntar o vinho e temperar com sal, e depois vai deixar que continue a cozer por mais uns dois ou três minutinhos, até o vinho ser absorvido. Nessa altura junte cinco chávenas de caldo, suba o lume, deixe levantar fervura, tape o tacho, baixe o lume e deixe o arroz cozinhar durante quinze minutos.

 

Neste intervalo, salteie os cogumelos no que resta de azeite e manteiga, com o tomilho, a raspa de laranja e o dente de alho que falta usar. Não se esqueça de temperar com sal e pimenta.

 

Passados os quinze minutos do risotto, destape o tacho, junte a sexta chávena de caldo, o sumo de laranja e o parmesão, e mexa até estar tudo bem envolvido e muito cremoso, quase ainda líquido (risotto seco é a coisa mais desengraçada que há). Adicione os pedaços de Brie, mexa e apague o lume. Se vir que o risotto ficou demasiado espesso, adicione mais um pouco de caldo e misture.

 

E agora é só servir. Num prato (fundo é melhor) coloque o risotto e por cima os cogumelos. Se quiser junte um pouquinho de pimenta preta fresca. E delicie-se!

 

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Notas:

* Se não adorar cogumelos ou não os tiver à mão, salteie outro legume – espargos, por exemplo, são uma ótima ideia. Mas use o que houver no frigorífico aí de casa.

 

* Pode substituir a laranja (raspa e sumo) por outro citrino. Se gostar, limão e lima funcionam bem, também, sendo que dão um toque mais ácido.

 

13
Mai20

Salsichas, agrião, maçã – improvável mas delicioso!

Hoje temos petisco. E dos bons!

 

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© Hirsheimer & Hamilton

 

Nos longínquos inícios desta era de isolamento subscrevi uma série de newletters de culinária, gastronomia e afins. Entre um curso digital de bases de culinária (que recomendo a todos aqueles que falem inglês – por mais que saibam sobre tachos, molhos e tipos de carne é bem possível que aprendam algo de novo), uma revista sobre os restaurantes de Nova Iorque (e agora sobre o drama em que eles vivem) ou uma publicação online dedicada à(s) história(s) da gastronomia, comecei a ter muito com que me entreter reunido no meu e-mail. Manter toda a leitura em dia é outra história... Mas faço por isso, ainda assim.

 

Numa dessas newletters (a da Epicurious, mais dedicada a receitas), apareceu-me um link para uma daquelas listas de "vinte e dois jantares para fazer em quinze minutos". Eu nem sou muito dada a estes "compêndios"; para já, os quinze minutos nunca são quinze minutos (o curso de cozinha ali de cima dá boas pistas a respeito desse tema), e depois na maioria dos casos as receitas não me cativam lá muito. Mas, sabe-se lá porquê, nesse dia decidi deixar-me surpreender. E foi algures no meio dessa lista que me apareceu a receita de hoje.

 

Não sei se o que me falou ao coraçãozinho culinário foi a maçã (adoro cozinhar com fruta – bem mais do que comê-la crua...), o agrião ou toda a mistura em si. Sei que achei que isto tinha de ser bom.

 

Só não pensei foi que fosse TÃO bom!

 

Pode parecer uma mistura estranha. Usar agriões como quem usa espinafres numa receita assim não é algo a que estejamos muito habituados, por exemplo. E o resultado final não é exatamente o tipo de petisco que costumamos programar para uma sexta-feira à noite (bom, vocês lá sabem da vossa vida...). Ma, certo, certo é que este prato vai entrar na rotação cá de casa.

 

É tão bom que nem o fotografei. Esqueci-me. E quando me lembrei já não ia a tempo...

 

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Salsichas com maçã e agrião

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 c. de sopa de azeite

4 maçãs pequenas (eu usei vermelhas), cortadas a meio

6 salsichas frescas

½ chávena de vinho branco

1 c. de sopa de vinagre balsâmico

6 bons punhados de folhas de agrião

 

***

 

Então vamos lá: comece por aquecer o azeite numa frigideira larga. Quando estiver quente, leve as maçãs a fritar (com a parte cortada virada para baixo). Esta parte vai demorar uns dez, doze minutos. A meio vire-as ao contrário um bocadinho, para dar uma cor do outro lado, e depois volte a virá-las para baixo. Se vir que é preciso, junte mais um bocadinho de azeite.

 

Entretanto, pique as salsichas com um palito. Quando as maçãs estiverem tostadinhas, tire-as da frigideira e junte as salsichas. Deixe-as ganhar uma cor de todos os lados (e vire-as com cuidado, para não se desmancharem). Quando estiverem prontas, junte o vinho e o vinagre, deixe levantar fervura e baixe o lume, para o molho reduzir. Isto vai demorar uns cinco, seis minutos – mas faça o truque da colher: se o molho a cobrir pela parte côncava, está pronto.

 

A seguir, para terminar, tire as salsichas, junte o agrião, deixe-o quebrar e volte a colocar na frigideira as salsichas e as maçãs.

 

E está pronto. É só servir.

 

Prometo que vai valer a pena!

 

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07
Mai20

Bulhão Pato não é só para as amêijoas.

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Não é mesmo. Também é para os camarões. Ou para os cogumelos! Nomeadamente quando a) se tem alguns no frigorífico a quererem passar do prazo e/ou b) se está numa de vegetais.

 

(Antes de continuarmos: sim. Amêijoas à Bulhão Pato é um petisco "daqueles"! Não podemos estar mais de acordo.)

 

Poucas coisas são tão fáceis de fazer como estes cogumelos. E a facilidade é proporcional ao sabor – são muito fáceis, sim, e também muito saborosos. Além disso, agradam a muita gente (sendo que eu conheço duas almas estranhas que não gostam – vá-se lá perceber), o que faz deles um ótimo petisco para quando a nossa vida social voltar e de repente tivermos visitas inesperadas e quisermos "fazer bonito". Em dez ou quinze minutos temos uma entradinha bem gostosa pronta a servir.

 

Vamos a isto?

 

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Cogumelos à Bulhão Pato

Ingredientes [para duas pessoas]:

450 g de cogumelos inteiros (marron, brancos, portobello, ...)

3 c. de sopa de azeite

1 boa c. de sopa de manteiga

3 dentes de alho grandes

½ copo de vinho branco

Sumo de limão q.b.

1 molhinho de coentros

Sal, pimenta e piripíri q.b.

 

***

 

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Para começar, limpe bem os cogumelos e corte-os em pedaços (do género de cubos, ou como prefira chamar-lhe). É importante que estes pedaços não sejam muito pequenos, para que mantenham alguma textura e não fiquem mínimos depois de cozinhados. Se os cogumelos forem pequenos, pode até cozinhá-los inteiros – separe só os caules dos "chapéus".

 

A seguir, numa frigideira, num wok ou num tacho leve o azeite e a manteiga ao lume, com os dentes de alho esmagados (casquinhas incluídas!). Deixe os aromas soltarem-se um bocadinho e junte os cogumelos. Tempere com o sal, a pimenta e o piripíri (não precisa de pôr, mas se gosta não salte esta parte) e vá mexendo. Quando o líquido tiver reduzido e os cogumelos estiverem quase prontos, é altura de juntar o vinho. Deixe ferver, para o álcool evaporar. A seguir junte os coentros picados grosseiramente, o sumo de limão que quiser pôr... E já está!

 

Nada mais fácil. É só torrar umas fatias de pão "nos entretantos", que até é crime servir isto sem pãozinho para o molho, e está pronto.

 

Delicie-se!

 

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