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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

21
Set17

Sobre aquela que vos escreve.

Sou a Sofia. Tenho 29 anos (quase 30, mas isso agora não vem ao caso). Vivo em Lisboa.

 

Não sei usar uma faca de chef em condições. Mas sei usar tachos de barro vezes a fio sem que o lume os estale.

 

Adoro os cheiros da cozinha – dos bolos no forno, dos refogados, dos assados, do chocolate a derreter, do barro quente, das ervas.

 

Ainda não tenho filhos nem plantei árvores (mas quem sabe se o livro não vem a caminho). Por agora, à falta da árvore cuido das plantas cá de casa. São três: poejo, cebolinho e manjericão.

 

Ando há meses a tentar atinar com as reduções dos molhos, mas em contrapartida já consigo derreter tudo o que é chocolate sem acidentes e já descobri os segredos do risotto (logo à primeira tentativa!). Sei o que tenho de fazer para os frutos secos no meio dos bolos não ficarem muito duros, sei fazer cremes e deixá-los arrefecer sem que criem aquela "capa" por cima e sei que quando as receitas têm os ovos ao peso a coisa se resolve com contas, porque um ovo equivale a cerca de 50 gramas. Também sei que aquecer a faca ajuda quando é preciso cortar queijo mole. E aqui há dias fiz o bolo da minha vida.

 

Nunca estudei nada disto, por isso só aprendo pelo que vejo (que é muito), pelo que leio (que é ainda mais) e pelas minhas experiências (que às vezes correm bem e às vezes correm mal).

 

Tanto cozinho os pratos mais portugueses como me aventuro para coisas que nem sei bem o que são. Haja sítio onde comprar os ingredientes e aí vou eu. Como gosto de tudo (já lá diz a minha mãe que sempre fui bom garfo) posso experimentar à vontade. E como o meu mais-que-tudo também não é esquisito há sempre (pelo menos) dois provadores para analisar os pratos.

 

Faço doces e salgados. Sempre gostei de cozinhar de tudo, mas na verdade durante algum tempo vivi especialmente encantada com bolos, bolachas e sobremesas. Só que ultimamente metade do meu coração caiu para o outro lado – daí que tenha em espera, para experimentar, cerca de cem receitas, sendo que só umas trinta é que são docinhas.

 

As minhas visitas habituais não têm intolerâncias nem são vegetarianas. Por isso as minhas receitas (ou as que não são minhas mas que faço) têm direito a tudo – glúten, lactose, carne, peixe, ovos, leite-mesmo-leite. Mas há vários cuidados que tenho. Por isso troco quase sempre as natas por alternativas mais saudáveis (iogurtes ou natas de soja) e a cada dez refeições que faço nove têm legumes como acompanhamento. Além disso, cuscuz, lentilhas, quinoa (coraçãozinho para ela), tofu, konjac... Faz tudo parte do repertório culinário cá de casa. Porque é saudável e porque é bom.

 

Já pensei em abrir um restaurante. Ou um cafezinho, vá. Mas tenho um medo e um problema. O medo é transformar o meu maior prazer (e a minha maior terapia) numa obrigação – isso assusta-me. O problema é que em Lisboa não consigo arrendar um cantinho sem ter de pôr a minha família toda nos penhores.

 

Fui finalista do desafio "As Presidentes", da Président Portugal, em 2016. Foi a melhor experiência culinária que podia ter tido, e aquela que me fez acreditar, finalmente, que aqui há um certo potencial. Cresci TANTO graças àquela saga! É tudo muito bonito quando a família e os amigos adoram tudo o que fazemos e nos elogiam até mais não (eu sei que são sinceros!!); mas quando chegamos a determinados patamares há algo que nos diz que não podemos ficar por ali. Que provavelmente temos mesmo algum futuro pela frente, se o quisermos agarrar.

 

Cozinha é amor. É dar. É generosidade e afeto. É mesmo assim que o sinto. O prazer que tenho em receber gente em casa e em cozinhar para essas pessoas vai muito além de gostar dos elogios (quem não?) e de adorar cozinhar. É a junção de tudo – fazer, com as minhas mãos (Bimby-não-entra), coisas boas e cheias de amor para dar àqueles que me preenchem o coração. Palavra que, por mais voltas que dê à cabeça, não conheço forma melhor e mais singela de dar. Dar. Cozinha é isso mesmo, sim. Dar.

 

"Gulinha" foi a hashtag que criei quando, há uns meses, aderi ao Instagram. Era por isso o nome que fazia sentido dar a este cantinho. Por aqui, no futuro, conto que haja receitas – ilustradas com fotografias muito amadorazinhas, porque ainda não aprendi a tirar daquelas bonitas. E dicas (as poucas que tenho para dar – e isto não é falsa modéstia). E às vezes dúvidas, também, e desabafos, e falhanços, que como já perceberam eu sou tudo menos uma profissional.

 

Obrigada por terem vindo. E por aqui estarem. :)

S

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