Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

11
Jan18

Ano novo, brinquedos novos – e uma receita com um nome giro.

Shakshuka.

 

Pedi brinquedos ao Pai Natal cá de casa. E ele foi, como é sempre, muito generoso. Pedi uma frigideira em ferro fundido (essa coisa linda e retro-vintage que inundou Instagrams, Pinterests e blogs desta vida) e o Pai Natal trouxe; pedi mini-cocottes da Le Creuset e o Pai Natal não trouxe – entusiasmou-se e em vez disso trouxe-me uma cocotte das grandes.

 

Cocotte Le Creuset

 

(E pedi livros de receitas e o Pai Natal trouxe, e não pedi uma balança antiga linda-mas-linda mas o Pai Natal também trouxe...)

 

Ora, como é que se agradecem presentes destes? Com muito amor e com muitas receitas boas!

 

Para o arranque do Gulinha neste novo ano, voltemos ali atrás, à frigideira de ferro fundido. Além de, sim, ser uma das coqueluches (isto ainda se diz?) da Internet, tem a vantagem clara de tudo o que é em ferro: dá para fogão (a gás ou elétrico) e forno. Ou seja, dá para começar uma receita em cima e acabá-la em baixo. (...) E dura uma vida!

 

É verdade que estas meninas têm, pelo menos cá, o problema do preço. Se queremos apostar numa marca que nos ofereça garantias temos de pagar qualquer coisa por isso – sendo que lá fora há ótimas alternativas por bons preços, só que os portes estragam tudo. A sorte foi que, semanas antes do Natal, andava eu por essa Amazon fora a namorar frigideirinhas quando encontrei uma da Kitchen Craft no site espanhol a um preço lindo de morrer. Parecia mentira. E então, lá está, dei a dica ao Pai Natal, explicando-lhe que aquilo era um ótimo negócio. Pronto, e o resto da história já se sabe qual foi...

 

Brinquedo novo, ideias novas. Montes delas. Mas na verdade a estreia da frigideira aconteceu meio por acaso, numa daquelas noites pós-festividades em que não havia sopa feita (fazer sopa no Natal até deve ser pecado) e era preciso desencantar uma ideia simples para o jantar. Meia dúzia de pesquisas por sites e blogs e cheguei à shakshuka. Isso: à shakshuka. E ainda bem que cheguei!

 

Para quem não sabe o que é e se dá bem com o inglês, há este magnífico artigo do The Guardian, que explica tudinho. Mas, resumindo, a shakshuka é um prato com raízes no norte de África e em Israel, que tem como base das bases tomate e ovos. Juntam-se ervas e alguns outros temperos e está feito. Serve, dependendo de onde é feito, de pequeno-almoço, entrada ou prato principal. É tudo cozinhado – e servido – no mesmo recipiente (no caso, na dita frigideira).

 

É bom? Se é! Aliás, é bem melhor do que o que eu esperava. Quer dizer, inicialmente o conceito até me convenceu – caso contrário eu não tinha experimentado. Mas enquanto estava a cozinhar só pensava «então mas isto é molho de tomate com ovos em cima...». Só que não é. Parece, mas não é. É muito mais. E muito melhor.

 

Como fiz isto à experiência, fiquei-me pela versão mais básica (vi várias receitas, e mais uma vez a do Guardian ganhou – de acordo com os entendidos no assunto, reúne todos os essenciais e não vai em nada além deles). E nem sei se me apetece experimentar mais alguma – gostámos tanto, tanto desta!

 

Shakshuka.

 

---

 

sep receitas.png

Shakshuka

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 c. de sopa de azeite

½ cebola grande, bem picadinha

3/4 pimento vermelho em cubinhos

1 dente de alho esmagado

1 c. de chá de colorau

1 pitada de cominhos

1/4 c. de café de pimenta-de-caiena

400 g de tomate muito maduro ou em calda

1 c. de sopa mal cheia de açúcar

½ c. de sopa de sumo de limão

2 a 4 ovos

Coentros picados q.b.

 

***

 

Shakshuka.

 

Para começar, aqueça o azeite em lume médio. (Se usar um recipiente em ferro, não se esqueça de o pôr a aquecer aí minuto e meio antes de colocar o azeite.) Junte depois a cebola e deixe-a cozinhar até começar a ficar douradinha. A seguir vai juntar o pimento e deixar refogar mais um pouco. Quando o pimento estiver suave, junte o alho e as especiarias, mexa e deixe cozinhar por mais uns dois minutos.

 

Depois, vai juntar o tomate e desfazê-lo já na frigideira (ou no tacho), com a ajuda da colher, e vai também envolver o açúcar. Baixe o lume o mais possível e deixe tudo a fervilhar (devagarinho, quase nada) durante uma meia horinha. Vá mexendo, para que não pegue, e retifique os temperos.

 

Passada a meia hora, abra espaços neste "molho" (um por cada ovo). Com todo o amor e carinho, para não rebentar a gema, abra os ovos para esses espacinhos. Tempere-os só com um pouquinho de sal e pimenta. Mantenha o lume muito baixo, tape e deixe que os ovos cozinhem por uns 10 minutos – a ideia é ficar com a clara cozinhada e a gema líquida.

 

Assim que os ovos estiverem prontos, apague o lume. Salpique com o sumo de limão e os coentros picados e sirva com pãozinho acabado de torrar.

 

Simples, leve e d-e-l-i-c-i-o-s-o!

 

Shakshuka.

 

sep notas.png

 

Notas:

* A pimenta-de-caiena é, digamos, intensa. Por isso, se não estiver habituado a usar, vá com calma, está bem? Comece por ¼ de colher de café e se lhe parecer bem junte depois mais um pouco. Antes isso do que fazer um petisco todo bonito mas impossível de comer. ;)

 

* Em vez de coentros, pode usar salsa. Ou até experimentar juntar louro ou tomilho. Além disso, há também quem use canela.

 

* Ainda sobre os temperos: eu uso cominhos em doses "homeopáticas". Temos uma relação complicada – falando bem e depressa, tudo o que me sabe a cominhos sabe-me a morcela. E eu gosto de morcela! Não acho é muita piada a comida que não a tem lá pelo meio e que mesmo assim lhe toma o sabor. E os cominhos são muuuuito fortes, já se sabe... Daí que tenha sugerido uma pitada. Ponha a gosto. (Eu só não saltei essa parte porque, visto que estava a experimentar a receita, quis-lhe ser o mais fiel possível... E verdade seja dita que pus tão mas tão poucos que o sabor acabou por nem se notar.)

 

* O tomate, como escrevi lá em cima, é a base das bases. O pimento é a "base número 2" – segundo percebi na receita israelita também é essencial, aliás. Mas a partir daqui vale tudo: batata, feijão, milho, alcachofras, courgete... É correr as internetes desta vida e há ideias diferentes para um mês de refeições.

Sofia.

Mais Gulinha.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Dar sangue. Dar medula. Dar vida.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D