Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

16
Nov17

Pato, assadeira de barro e um domingo feliz.

Pato assado com laranja.

 

O domingo passado foi dia de almoço cá em casa. Éramos só três, nós e a minha mãe, mas isso não importa – se eu até para dois invento que me farto, imagine-se quando vem mais alguém!

 

A minha assadeira de barro está cá desde setembro. Bendita Feira da Luz, que me resolve os problemas logísticos da cozinha como mais nenhum lugar. O meu tachinho de barro veio de lá. Já tem uns quatro anos. É tão bem tratado que ainda não se partiu. Quanto à assadeira, estreei-a precisamente no domingo. Não levou tratamento nenhum (há quem deixe a loiça de barro de molho uns dias antes de a usar pela primeira vez) e passou no teste com distinção.

 

Cozinhar em barro é toda uma experiência. Pede um pouco de cuidado, é verdade, mas nada que não se faça – mesmo! E o que se ganha em sabor é tanto mas tanto que compensa aquele bocadinho de atenção extra que temos de dar ao refogado, ou ao assado, ou ao que seja. O cheiro do barro ao lume não tem descrição possível. E a comida que ali se faz... Enfim. Se eu pudesse acho que cozinhava sempre em barro.

 

Mas voltando ao almoço... Patinho. Porque eu adoro pato, porque tinha saudades de comer pato com laranja e porque a assadeira já merecia a estreia. E, como os domingos são dias em que tudo pode demorar mais um pouco a fazer-se, foi um domingo que escolhi para pôr este plano em prática.

 

A casa ficou quentinha, graças ao forno; já nós ficámos de estômago e coração aconchegados. Que coisa tão boa!

 

Pato assado com laranja.

 

 ---

 

sep receitas.png

Pato assado no forno com laranja

Ingredientes [para duas a três pessoas]:

½ pato do campo

1 cebola

3 dentes de alho

5 cabeças de cravinho

1 folha de louro

Sal e pimenta preta q.b.

2 a 3 laranjas

Azeite e vinho branco q.b.

 

***

 

Pato assado com laranja.

 

Porque a carne de pato tem os seus "quês" (e também os seus "quás"), há que começar por cozê-la. Ponha a metade do pato na panela de pressão, com a cebola (cortada a meio), os dentes de alho (com casca e tudo), a folha de louro, as cabeças de cravinho e sal e pimenta a gosto. Cubra o pato com água, feche a panela e leve ao lume. Depois de começar a ferver bem conte 20 minutos. Passado esse tempo, apague o lume. Quando todo o vapor sair, abra a panela e retire o pato. (Guarde a água da cozedura – já lá vamos.)

 

Ponha o forno a aquecer aí nos 190º C. Enquanto isso, parta o pato em duas ou três partes. No fundo da assadeira ou do tabuleiro que for usar coloque um fio de azeite, e depois disponha o pato, com a pele voltada para cima. Salpique com vinho branco e regue com o sumo de uma laranja e com mais um fio de azeite. Nos intervalos dos pedaços de pato, coloque rodelas de laranja cortadas em meias-luas.

 

Leve ao forno até o pato estar bem tostadinho. Se começar a secar, vá regando com um pouco do caldo de cozer o pato. Mas atenção! Se estiver a usar uma assadeira de barro e a água estiver fria, ou só morninha, aqueça-a um pouco no microondas, antes. Caso contrário, já sabe: líquido frio em barro quente... E era uma vez uma assadeira.

 

Assim que o pato estiver tostado, pode retirar do forno e servir. Cá em casa o acompanhamento foi uma mistura de batata-doce, abóbora e castanhas. Tudo assado no forno, também (a receita está aqui).

 

Bom apetite! E bons almoços de família. :)

 

Pato assado com laranja.

 

sep notas.png

 

Notas:

* Se não encontrar pato do campo, que seja do outro. Mas é que o do campo, além de ser mais saudável, é MUITO mais saboroso...

 

* Ainda está para vir o post em que digo tudo o que sei (que é poucochinho, note-se) sobre cozinhar em barro. Mas não está esquecido! Seja como for, a nota mais importante está ali em cima, na receita: deitar líquidos frios em barro quente são nove décimos de caminho andado para o barro partir. E a meio da cozedura, ainda para mais... Não queremos isso. O especial cuidado é mesmo esse, portanto – se tiver de juntar algum líquido, aqueça-o primeiro.

 

* Não deite o caldo que sobrar fora. Use-o como caldo de carne. Pode congelar, se quiser. Eu usei-o para fazer um risotto de pato e cogumelos... (Que, deixe-me que lhe diga, ficou d-e-l-i-c-i-o-s-o.) Partilho a receita um dia destes!

06
Out17

Sim, é borrego – mas por favor não desista já.

Ensopado de borrego lá (e cá) de casa

 

Nunca hei de perceber o problema que tanta gente tem com borrego.

 

Poucos lhe são indiferentes, não é?... Ou adoram ou fogem dele. Parece que o meio termo aqui não existe. Ou bem que fazem romarias a certas zonas do país para comer "aquele" borrego "daquele" sítio, ou bem que ficam com uma cara indescritível de enjoo só de ouvir o nome.

 

Eu gosto muito de borrego. Desde miúda. De borrego assado no forno, das costeletas (fritas, grelhadas, panadas...), de caldo de borrego, de ensopado... É tudo muito diferente mas é tudo ótimo. Quando era pequena era o borrego assado que levava a melhor; hoje nem sei, mas talvez sejam o caldo (que coisa TÃO boa, numa noite de inverno!) e as costeletas.

 

Tenho cá para mim que quem não gosta de borrego não tem muita sorte com quem lho tempera. Porque eu também já comi borrego que... Enfim, nem vale a pena ir por aí. Esta carne tem um sabor muito particular, sim. Mas tratada e temperada da maneira certa é mesmo, mesmo boa. Se só provou uma ou duas vezes, experimente pela terceira (mas lave-o e tempere-o como eu vou explicar aqui em baixo); se já perdeu a conta às más experiências... Vá, faça só mais esta. A sério.

 

---

 

sep receitas.png

 

Ensopado de borrego lá (e cá) de casa

Ingredientes [para duas pessoas]:

600 g de cachaço de borrego em pedacinhos

Sal e pimenta preta q.b., três dentes de alho, 1 folha de louro, colorau q.b., 2 copos de vinho branco, 1 raminho de salsa e 1 raminho de coentros [para a marinada]

1 cebola grande

Azeite q.b.

2 a 3 tomates em calda + 4 a 6 colheres de chá da calda

1 cenoura grande

Piripíri q.b. [opcional]

Fatias de pão para torrar

Coentros para decorar

 

***

 

Antes da receita propriamente dita: o borrego precisa de estar temperado durante bastante tempo. Se for para o almoço tempere-o na noite anterior e de manhã dê-lhe uma volta. Se for para o jantar, tempere-o logo de manhã e a seguir ao almoço dê-lhe uma volta.

 

Ensopado de borrego lá (e cá) de casa

 

Tudo vai começar não pelo tempero mas pela lavagem. Vai ligar o esquentador e lavar o borrego em água bem quente (não é preciso estar a escaldar, mas também não é morninha). Passe-o por várias águas. Antes ou depois disso, tire o máximo de gorduras que conseguir. No talho vão limpar a carne, sim, mas por mais que limpem vem sempre qualquer coisa para nós tirarmos em casa.

 

Depois de tirar as gorduras e de passar por várias águas (quentes, não se esqueça), vai colocar o borrego de molho em água quente (não custa reforçar a ideia) com rodelas de limão. Corte-as, esprema-as lá para dentro e depois coloque-as também na água. 

 

Isto vai ficar assim aí uma meia hora, pelo menos. Pode pôr o borrego de molho antes do jantar, por exemplo, e a seguir tempera-o.

 

Depois de o "banho" estar dado, escorra a água, deite fora as rodelas de limão e coloque o borrego no recipiente em que o vai temperar. 

 

Para fazer a marinada, vai juntar ao borrego o sal, a pimenta preta (se não costuma usar pode esquecê-la), os dentes de alho (esmagados), o louro, o colorau, o vinho branco e o raminho de salsa. Envolva, envolva, volte a envolver, tape e leve ao frigorífico (de noite para de manhã ou de manhã para a noite, como já disse lá em cima).

 

Ensopado de borrego lá (e cá) de casa

  

Na hora de começar a fazer o repasto, leve ao lume um tacho com azeite. Pique uma cebola grande e ponha-a também no tacho. Deixe o refogado alourar bem, em lume médio, e refresque-o depois com um pouco da marinada do borrego. Deixe aquecer e a seguir junte os tomates (pode desmanchá-los já no tacho, com a ajuda da colher, ou logo com as mãos, quando os está a juntar) e a calda. Mexa, deixe que o tomate desfaça e junte então o borrego, a cenoura (cortada em rodelas finas) e metade a dois terços da marinada. (Reserve a que sobrar.) Junte também todo o alho e todas as ervas da marinada nesta altura. Tape o tacho, baixe o lume para o mínimo... E pronto. Depois basta ir mexendo de vez em quando.

 

Quando a carne estiver quase pronta – cerca de uma hora é suficiente, em princípio –, junte o resto da marinada e um bocadinho de piripíri (a ideia é realçar um pouco o sabor, não é que fique propriamente picante).

 

Ensopado de borrego lá (e cá) de casa

 

Deixe ferver mais um pouco, e entretanto aproveite para torrar as fatias de pão. Quando estiver tudo pronto, disponha o pão no fundo dos pratos e por cima coloque alguns pedaços de borrego e molho – muuuito molho. Decore com mais coentros picados... E está prontinho!

 

Ensopado de borrego lá (e cá) de casa

 

sep notas.png

 

Notas:

* Se não tiver limão para lavar o borrego, pode usar laranja, lima ou alguma das outras primas. Mas o ideal é mesmo limão.

 

* Para o caso de usar esta marinada para outras receitas: se a carne estiver em pedacinhos, ótimo; se não estiver, dê-lhe uns golpes de um lado e de outro, para que absorva melhor o tempero.

 

* Se não acha muita piada a coentros, fique-se pela salsa. O borrego e os coentros nasceram um para o outro, mas... Ou então pode juntar outras ervas. Hortelã, sálvia ou poejos (ai, os poejos...) casam muito bem, também.

 

* Se aí em casa houver tachinho de barro para fazer o ensopado, então é mesmo esse tacho que vai usar! Um dia destes explico em pormenor os cuidados a ter com o dito – porque o barro é sensível e quebra com muita facilidade. Mas a dica principal é esta: nada de ter o tacho quente e deitar para lá coisas frias, sobretudo se forem líquidos! Se for preciso leve o vinho ou a calda de tomate (ou o que seja) um bocadinho ao microondas. Não precisa de ficar quente, mas tem pelo menos de ficar à temperatura ambiente.

Sofia.

Mais Gulinha.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Dar sangue. Dar medula. Dar vida.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D