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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

17
Out17

Este não é só mais um bolo de chocolate.

Bolo de chocolate do Rudolph.

 

Ficou aqui prometida, ontem, a receita do bolo de chocolate que fiz para os anos da minha mãe. Hoje, aqui vem ela!

 

Este não é mesmo só mais um bolo de chocolate. E não o é por duas razões: os ingredientes (leva leitelho e uma quantidade pouco comum de fermento) e a textura com que fica no final.

 

Como aqui disse ontem, é um bolo mais para o húmido, leve, suave e não muito doce (porque, como também já disse, roubei quase metade à quantidade de açúcar).

 

A receita original é do Rudolph van Veen, esse guru holandês da cozinha em geral e das doçuras em particular. Tanto que já aprendi a ver aqueles programas! Além disso, já fiz pelo menos uma meia dúzia de receitas dele e a verdade é que todas saem bem e todas são ótimas.

 

Bolo de chocolate do Rudolph.

 

Além de ser delicioso e de ter a eterna versatilidade de um bolo de chocolate, este bolo ainda tem a vantagem de ser muito fácil e rápido de fazer. Vale mesmo a pena experimentar! Acredite que vai entrar de imediato para a lista de bolos (para o dia a dia ou para festas) aí de casa.

 

Vamos a isso? :)

 

---

 

sep receitas.png

Bolo de chocolate do Rudolph*

* foi o nome que lhe dei no meu caderno das receitas

Ingredientes:

90 g de cacau em pó

300 ml de água

1 pitada de sal

300 g de açúcar

250 g de farinha

30 g de fermento em pó

3 ovos (M/L)

140 ml de óleo

350 ml de leitelho

1 c. de chá de extrato de baunilha

Manteiga q.b. [para untar a forma]

 

***

 

Para começar, trate logo da única parte "bicuda" desta receita: a água de cacau. Leve a água ao lume. Quando levantar fervura, verta-a aos poucos (mas é mesmo aos poucos-muito-poucos) sobre o cacau e vá mexendo muito bem. Eu sei que parece que não vai resultar nunca, mas não desespere – às tantas o cacau vai mesmo diluir. No final terá uma espécie de pasta de cacau, que tem de deixar arrefecer. (Não estranhe: depois de fria vai ficar mais espessa.)

 

A seguir, ponha o forno a aquecer nos 180º C. Unte uma forma de 26 cm com manteiga e forre o fundo com papel vegetal.

 

Depois, parta para a massa do bolo. É muito simples! Na taça em que vai bater tudo, misture os ingredientes secos (farinha, açúcar, fermento e sal). Depois, junte os ingredientes líquidos – os ovos, o extrato de baunilha, o óleo, o leitelho e a água de cacau. Quando já tiver tudo na taça, envolva devagar, por uns instantes, e depois bata. A ideia não é bater muito... Minuto e meio chega.

 

Feita a massa, é só verter na forma e levar ao forno cerca de uma hora. Aqui, o teste do palito não é 100% fiável, porque como o bolo é um nadinha húmido o palito vai sempre trazer umas migalhitas. É uma questão de bom senso... Se a massa estiver líquida, ou se ainda vier alguma colada ao palito, nem pensar em tirar do forno. Mas umas migalhitas aqui e ali não têm problema.

 

Bolo de chocolate do Rudolph.

 

 ---

 

sep receitas.png

Ganache de chocolate preto

Ingredientes:

200 g de chocolate de culinária

100 ml de natas

 

Nada mais simples. Parta o chocolate em bocadinhos e coloque dentro de uma taça (resistente ao calor); leve as natas ao lume até começarem a ferver; verta as natas sobre o chocolate; deixe repousar uns dois minutos e a seguir mexa bem, com a ajuda de um batedor de varas. Assim que o chocolate estiver todo dissolvido, está pronta. Depois é só aguardar um bocadinho, para a ganache arrefecer até ter a consistência certa para rechear ou cobrir o bolo. Se a dada altura já tiver arrefecido demais, e por isso já estiver demasiado espessa para trabalhar com ela, leve-a um bocadinho ao microondas. Se tiverem de ser dois ou três bocadinhos, também não faz mal – mas mexa entretanto, para o chocolate não queimar.

 

sep notas.png

 

Notas:

* Para o bolo das fotografias eu fiz três doses. Três vezes a receita, portanto. Mas bolo a bolo! Esta massa é tão fofa que fazer um bolo grande para depois cortar não é mesmo uma opção viável... Se quer três camadas, tem de cozer três bolos.

 

* Se quiser espreitar a versão original da receita, com vídeo e tudo, está aqui. (Se ler inglês, copie o link e cole-o no Google Translate, com as opções Holandês-Inglês. É milagroso!) Mas eu só fiz o bolo. Não usei o mesmo creme – nem, escusado será dizer, a mesma decoração.

 

* Nesta receita convém mesmo usar leitelho. Não digo que o bolo não cresça se usar leite, ou iogurtes, ou natas azedas (sour cream), mas também não garanto que corra bem (não experimentei). Um dos segredos da leveza deste bolo está na combinação do leitelho com o fermento. A acidez do primeiro estimula o segundo. E isso faz toda a diferença... É verdade que o leitelho, além de não ser propriamente barato, não é fácil de encontrar. Eu só descobri no El Corte Inglés. Mas garanto que vale a pena o esforço!

 

* Quanto à decoração e ao interior do bolo, está tudo no meu post de ontem.

 

Bolo de chocolate do Rudolph.

16
Out17

O bolo de anos da minha mãe.

O bolo de anos da minha mãe.

 

A minha mãe fez 60 anos na sexta-feira. Naquilo que foi um empenho familiar notável, umas 30 pessoas (ou mais) sabiam do jantar surpresa que eu lhe estava a organizar e ainda assim ela não desconfiou de rigorosamente nada até ao último segundo. Foi muita emoção. Lá isso foi. Para ela, acima de tudo, mas também para todos os presentes. Sinto que o trabalho e o esforço valeram a pena (parecendo que não, no final da noite e no dia seguinte estava de rastos, tal era o cansaço acumulado – pela saga do jantar e por muitas outras coisas). A noite foi feliz e radiosa, para a aniversariante e para todos os que a surpreenderam.

 

Presentes não faltaram, é claro. Foram, sobretudo, livros, entre vários outros mimos. E houve também esta peça linda:

 

Escultura

 

Pedi a uma grande amiga, com um coração e um talento enormes, que ma esculpisse. É barro. E é um belo retrato de amor.

 

(Em breve esta minha amiga vai ter um site todo catita. Depois mostro. :) )

 

---

 

Aniversário que é aniversário pede bolo. Aniversário dos 60 anos e que envolve jantar surpresa pede um senhor bolo. Estive até à última da hora sem saber bem com quem contava para os "Parabéns", e por isso pela certa tive de fazer um bolo generoso – por generoso entenda-se coisa aí de uns 3,5 kg...

 

O bolo de anos da minha mãe.

 

As fotografias (amanhã há mais) não são bonitas porque, caramba, era o jantar de aniversário minha mãe. Preocupei-me mais com isso do que com cenários lindos e luzes ideais e ângulos perfeitos. Foi de tal ordem que nem consegui tirar fotografias a uma única fatia de bolo! Mas eu descrevo, para perceberem as coisas boas que se passavam ali dentro:

 

     * Três camadas de bolo fudge de chocolate;

     * Ganache de chocolate entre a camada inferior e a do meio, com morangos fatiados;

     * Doce de frutos vermelhos entre a camada do meio e a superior;

     * Mais ganache de chocolate na cobertura.

 

Quando acabei de "montar" o bolo, e ainda antes de o decorar, não fiquei lá muito contente. Não sei... Acho que tinha feito planos brilhantes e que depois o resultado não me parecia assim tão luminoso. Mas a verdade é que quando a decoração ficou pronta mudei de opinião. Se é um bolo artisticamente perfeito? Não. Se a decoração o tornou lindo e amoroso? Sem dúvida. Se o sabor convenceu? A-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e.

 

Era um bolo meio húmido, mas nada pesado. E... Bom! É a única palavra que me ocorre. ;) Não ficou muito doce porque roubei quase metade à quantidade de açúcar da receita original (o que não prejudicou o resultado final em termos de textura e evitou que se tornasse enjoativo), e também porque a ganache era de chocolate preto. Por outro lado, aqueles morangos ali no meio deram-lhe um toque ácido muito simpático.

 

Falando da decoração, e porque mesmo naquela noite me fizeram algumas perguntas:

 

     * A vela veio pelo eBay (há lojas de bolos que vendem velas destas, mas eu não consegui encontrar uma assim, com o 60 "todo junto");

     * O topo de bolo a dizer "Parabéns" foi feito por mim (segui este esquema, mas como o material que usei não foi exatamente o mesmo acabei por ter de inventar um bocadinho);

     * As pérolas brancas vieram do Carrefour de Badajoz (cá encontram-se, claro, em lojas de bolos – mas lá saem muito baratas, e como eu lá estive...).

 

A receita chega amanhã, porque este post já vai longo. E além disso um bolo destes bem merece dois posts, ou não?

 

(Prometo que a espera vai valer a pena. O bolo é fácil de fazer e resulta mesmo, mesmo muito bem.)

Sofia.

Mais Gulinha.

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