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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

19
Mai20

Brie. Risotto que não é para mexer. É preciso dizer mais alguma coisa?

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Risotto. De brie. Com cogumelos. Sem mexer. Tudo certo, aqui, não é?

 

Tinha esta receita à espera de ser feita há já algum tempo. Tinha tanta certeza de que ia ser ótima que quis guardá-la para um dia especial. Guardei. Mas quando a fiz confesso que até eu fiquei supreendida – era ainda melhor do que o que eu imaginava, sendo que eu já imaginava que ia jantar muito, muito bem nessa noite.

 

A ideia inicial é do infalível Half Baked Harvest, mas decidi dar-lhe duas ou três voltas. E nem vou dizer mais nada. "Ala" para a receita, que até as fotografias falam por si. A lista de ingredientes é um bocadinho longa, mas nada tema – este risotto é rápido e muito fácil de fazer.

 

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Risotto (assim mesmo muito fácil) de cogumelos e brie

Ingredientes [para seis pessoas]:

6 chávenas de caldo de frango ou de legumes (mas pela certa tenha sete a jeito)

3 c. de sopa de azeite

5 c. de sopa de manteiga com sal

3 dentes de alho picados ou esmagados

2 chávenas de arroz para risotto (eu usei arbório)

1 chávena de vinho branco

Sal q.b.

1 c. de sopa de raspas de laranja + 3 c. de sopa de sumo

¼ de chávena de queijo parmesão ralado

1 triângulo de queijo brie (200 g) cortado em cubos não muito grandes

600 g de cogumelos frescos

2 c. chá de tomilho seco (ou 2 c. de sopa tomilho fresco)

Pimenta preta q.b.

 

***

 

Primeiro que tudo, tenha o caldo bem quente, pronto a usar.

 

Aqueça duas colheres de sopa de azeite e duas colheres de sopa de manteiga num tacho grande, com o lume médio-alto. Junte dois dos dentes de alho e deixe-os começar a soltar aquele cheirinho bom – com cuidado, para não queimar. Junte o arroz (sem lavar!) e vá misturando durante dois a três minutos, até começar a ver algumas pontinhas tostadas. Nessa altura, vai juntar o vinho e temperar com sal, e depois vai deixar que continue a cozer por mais uns dois ou três minutinhos, até o vinho ser absorvido. Nessa altura junte cinco chávenas de caldo, suba o lume, deixe levantar fervura, tape o tacho, baixe o lume e deixe o arroz cozinhar durante quinze minutos.

 

Neste intervalo, salteie os cogumelos no que resta de azeite e manteiga, com o tomilho, a raspa de laranja e o dente de alho que falta usar. Não se esqueça de temperar com sal e pimenta.

 

Passados os quinze minutos do risotto, destape o tacho, junte a sexta chávena de caldo, o sumo de laranja e o parmesão, e mexa até estar tudo bem envolvido e muito cremoso, quase ainda líquido (risotto seco é a coisa mais desengraçada que há). Adicione os pedaços de Brie, mexa e apague o lume. Se vir que o risotto ficou demasiado espesso, adicione mais um pouco de caldo e misture.

 

E agora é só servir. Num prato (fundo é melhor) coloque o risotto e por cima os cogumelos. Se quiser junte um pouquinho de pimenta preta fresca. E delicie-se!

 

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Notas:

* Se não adorar cogumelos ou não os tiver à mão, salteie outro legume – espargos, por exemplo, são uma ótima ideia. Mas use o que houver no frigorífico aí de casa.

 

* Pode substituir a laranja (raspa e sumo) por outro citrino. Se gostar, limão e lima funcionam bem, também, sendo que dão um toque mais ácido.

 

07
Mai20

Bulhão Pato não é só para as amêijoas.

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Não é mesmo. Também é para os camarões. Ou para os cogumelos! Nomeadamente quando a) se tem alguns no frigorífico a quererem passar do prazo e/ou b) se está numa de vegetais.

 

(Antes de continuarmos: sim. Amêijoas à Bulhão Pato é um petisco "daqueles"! Não podemos estar mais de acordo.)

 

Poucas coisas são tão fáceis de fazer como estes cogumelos. E a facilidade é proporcional ao sabor – são muito fáceis, sim, e também muito saborosos. Além disso, agradam a muita gente (sendo que eu conheço duas almas estranhas que não gostam – vá-se lá perceber), o que faz deles um ótimo petisco para quando a nossa vida social voltar e de repente tivermos visitas inesperadas e quisermos "fazer bonito". Em dez ou quinze minutos temos uma entradinha bem gostosa pronta a servir.

 

Vamos a isto?

 

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Cogumelos à Bulhão Pato

Ingredientes [para duas pessoas]:

450 g de cogumelos inteiros (marron, brancos, portobello, ...)

3 c. de sopa de azeite

1 boa c. de sopa de manteiga

3 dentes de alho grandes

½ copo de vinho branco

Sumo de limão q.b.

1 molhinho de coentros

Sal, pimenta e piripíri q.b.

 

***

 

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Para começar, limpe bem os cogumelos e corte-os em pedaços (do género de cubos, ou como prefira chamar-lhe). É importante que estes pedaços não sejam muito pequenos, para que mantenham alguma textura e não fiquem mínimos depois de cozinhados. Se os cogumelos forem pequenos, pode até cozinhá-los inteiros – separe só os caules dos "chapéus".

 

A seguir, numa frigideira, num wok ou num tacho leve o azeite e a manteiga ao lume, com os dentes de alho esmagados (casquinhas incluídas!). Deixe os aromas soltarem-se um bocadinho e junte os cogumelos. Tempere com o sal, a pimenta e o piripíri (não precisa de pôr, mas se gosta não salte esta parte) e vá mexendo. Quando o líquido tiver reduzido e os cogumelos estiverem quase prontos, é altura de juntar o vinho. Deixe ferver, para o álcool evaporar. A seguir junte os coentros picados grosseiramente, o sumo de limão que quiser pôr... E já está!

 

Nada mais fácil. É só torrar umas fatias de pão "nos entretantos", que até é crime servir isto sem pãozinho para o molho, e está pronto.

 

Delicie-se!

 

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21
Abr20

Pizza. Apenas isso: pizza!

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© Half Baked Harvest

 

Vamos imaginar que ainda ninguém engordou nesta fase mais dada ao recolhimento e que por isso pizza caseira é algo que faz sentido.

 

E faz. Faz, sim. Faz mesmo! Foi por isso que eu a levei ao forno aqui há dias (para o jantar de Domingo de Páscoa!). E é por isso que venho aqui deixar a receita. Por isso e porque é, como são sempre as receitas do Half Baked Harvest, tão-boa-mas-tão-boa-mas-tão-boa.

 

Para a base, há uma receita boa, fácil, rápida e só com dois ingredientes aqui. Mas, se não estiverem muito na onda de fazer a massa, ou se vos faltar esse bocadinho de tempo, ou se não tiverem um dos ingredientes, usem uma de compra. (Ou, tendo-a e querendo e podendo, optem pela receita caseira que costumam usar desse lado.)

 

Seja qual for a massa, não vai ser ela o problema. Até porque, na pior das hipóteses (e que mesmo sendo diferente é bem boa), podem cortar fatias de pão, espalhar o recheio por cima e levar ao forno. Não deixem é de fazer isto para um jantar de fim de semana, um brunch ou um daqueles momentos em que vos apetece mesmo um “petisquinho”.

 

No final, garanto que não sobra nada!

 

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Pizza de cogumelos e cebola caramelizada

Receita do blog «Half Baked Harvest»

Ingredientes [para uma pizza média]:

2 c. de sopa de manteiga

1 cebola grande, cortada em meias-luas (nem muito fininhas nem muito grossas)

⅓ de chávena de vinho branco (pode substituir por sidra ou sumo de maçã)

1 c. de sopa de salva fresca, picada

2 c. de chá de alecrim fresco, picado + umas folhinhas inteiras

1 pitada de flocos de piripíri (opcional, claro)

250 g de mistura de cogumelos

1 a 2 dentes de alho picados ou esmagados

Massa de pizza (esta, por exemplo – ou a que costuma fazer, ou a que costuma comprar…)

1 chávena de espinafres frescos

90 g de queijo de cabra em pedaços

1 chávena de queijo mozzarella ralado

Sal, pimenta e azeite q.b.

 

***

 

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© Half Baked Harvest

 

Para começar, coloque o forno a aquecer a 225º C. Se usar massa de compra, prepare-a.

 

Enquanto o forno aquece, derreta a manteiga numa frigideira e junte a cebola em meias-luas. Deixe cozinhar, em lume médio, até que a cebola comece a ficar molinha. Nessa altura, junte metade do vinho branco e tempere a cebola com sal e pimenta. Vá mexendo e, quando o líquido evaporar, junte o resto do vinho. Continue a mexer. Daí a uns cinco, dez minutos as cebolas já devem estar a dourar. É nessa altura que vai juntar os cogumelos, o alho, as ervas e o piripíri (se usar). Quando os cogumelos “quebrarem” e não houver líquido na frigideira, pode apagar o lume.

 

Sobre a massa, que nesta altura já deve estar pronta a utilizar, vai colocar um fio de azeite. Por cima, dispõe os espinafres e o queijo de cabra, partido com as mãos, e a seguir metade da mistura de cebola e cogumelos. Em seguida, polvilha com o queijo ralado e por fim dispõe o resto da mistura de cogumelos e umas folhinhas de alecrim.

 

A seguir é só mesmo levar ao forno entre 10 e 20 minutos – até a massa estar tostadinha nas bordas e o queijo ralado ter derretido. Depois é só tirar do forno e ter força de vontade para esperar. Ou isso ou queimar as pontas dos dedos e da língua… É que resistir é um bocadinho difícil!

 

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Notas:

* A sálvia pode ser difícil de encontrar nesta altura. Até mesmo o alecrim não tem sido fácil de conseguir… Troque as ervas pelas que tiver à mão. Orégãos, tomilho, salsa… Opte pelos sabores de que gostar mais.

 

* O mesmo vale para o queijo. No ralado, eu usei mozzarella. Mistura de quatro queijos, para gratinar, ou só emmental, por exemplo, também resultam. E para quem, como eu, gostar de travos mais fortes, queijo da ilha ralado é uma ótima opção!

Quanto ao queijo de cabra em pedaços, mais uma vez vale o que houver – Brie, Camembert…

 

* Sobre os cogumelos: eu usei, porque tinha em casa, uma mistura de cogumelos silvestres. Mas use os que tiver à mão ou os que encontrar com mais facilidade.

05
Dez17

Cogumelos: lavo ou não lavo?

Cogumelos.

 

Não.

 

Eu sei, eu sei. No princípio esta ideia também não me agradou nada. Às vezes vêm cheios de terra – e, vindo ou não vindo, a verdade é que uma pessoa está habituada a lavar tudo...

 

Há uma razão para que os cogumelos não se lavem: sabor. Já falei disto há uns tempos, aqui, mas achei melhor dedicar um post só a este assunto.

 

Os cogumelos são como esponjas. Por isso é que quando os cozinhamos eles tendem a absorver aquele molhinho bom e a desfazerem-se na boca, cheios de líquido e sabor. Ora, quando os lavamos, em vez de absorverem tempero absorvem água... Por isso perdem na consistência, no sabor próprio e na capacidade de receber os sabores que hão de vir depois.

 

Mas é verdade que às vezes trazem terra. Muita, até. E como é que isso se resolve? De três maneiras.

 

1. A primeira coisa a fazer é sacudi-los. Vai logo perceber se isso é suficiente para que a terra saia ou não. Normalmente, e lamentavelmente, não é. Se não for, passe para a segunda hipótese.

 

2. Molhe uma toalha de papel, esprema-a e limpe os cogumelos. Sim, um a um. Quando são daqueles pequeninos, ou se são muitos, é dose – eu sei isso tão bem... Mas o que queremos é sabor e por ele tudo vale a pena, não é? (Um mantra culinário por dia...)

 

3. Supondo que os cogumelos têm tanta mas tanta terra que a coisa não vai lá nem com paninhos húmidos (ou supondo que não tem tempo nem paciência para estar a fazer festinhas aos ditos – mas eu não disse isto), a alternativa é abrir a torneira, mas a deitar só-um-fiozinho de água, e passá-los ali, também um a um. Não é muito melhor do que as toalhas de papel, mas a terra sai mais facilmente.

 

Em rigor, a hipótese 3 só se usa mesmo em último caso. Esta conta é simples de fazer: menos água é mais sabor. Ponto. Daí que lavar cogumelos em água abundante seja má ideia. E daí que tê-los de molho seja mais ou menos crime.

 

A maneira que encontrei para facilitar isto – ainda para mais adoro cogumelos – não foi comprá-los em lata. Foi comprá-los frescos, sim, mas avulso. Isso permite-me escolher o tamanho, o que às vezes é essencial, mas sobretudo permite-me escolher os que têm menos terra. É claro que há certas espécies que não se encontram avulso, mas...

 

Outra possibilidade é usar cogumelos desidratados. Já ouvi dizer mil coisas boas sobre eles em termos de sabor, mas ainda não experimentei. Não são baratos, mas lá descobri um saquinho de shiitake aqui há uns tempos. Um dia destes uso-os e logo lhe digo como correu.

 

Cogumelos.

30
Nov17

Ovo, espinafres, cogumelos. Brunch, almoço, jantar.

Tacinhas de espinafres e cogumelos com ovo.

 

Quando era miúda havia um conceito que me deixava imediatamente aos pulos (de forma literal, talvez, mas sobretudo de forma simbólica): "lanche ajantarado". Sempre que a minha mãe, normalmente a propósito de um aniversário ou de outra data especial, dizia que se ia fazer lá em casa um "lanche ajantarado", toda eu era festa. Além de sempre ter gostado de comer (oh, criança santa!), a ideia de se avizinhar uma tarde de petiscos vários e demorados fazia-me genuinamente feliz. Ainda hoje faz, a bem dizer.

 

Apesar de tudo isto, ainda não aderi ao equivalente matinal: o brunch (que seria mais um "almoço alanchado"). Porquê? Não sei... O facto de eu sofrer de uma espécie de DOC*, que me impede desde logo de me levantar mais tarde do que as 9h30 em 99% dos dias, é capaz de ter parte da culpa. Levantar tarde? Saltar esses momentos tão definidos que são o pequeno-almoço e o almoço e misturar os dois? Então e as horas das refeições? Vou acabar por atrasar o dia todo. Uma coisa é não ter horas a partir da tarde; outra é não as ter durante a manhã, quando ainda há praticamente um dia inteiro pela frente.

 

(Sim. Eu sou maluca. Corro quase tanto no dia de semana mais atarefado como num domingo em que não se passa nada. Mas horários são horários, caramba... Almoçar às quatro, por exemplo, é coisa para a qual eu não trouxe software instalado.)

 

Bom. Passando à frente esta pequena introdução biográfica... As tacinhas. As magníficas tacinhas. As tacinhas que fazem parte do menu cá de casa desde que as experimentámos. As tacinhas para as quais comprámos as primeiras loiças a dois.

 

Porque é que isto é tão bom? Porque tem espinafres. E cogumelos. E ovo. E porque se pode pôr no pão ou comer assim. E porque cheira bem. E porque, passadas algumas primeiras eventuais dificuldades, é fácil e rápido de fazer. E também, sim, porque é bom para um brunch mas também para o almoço ou para o jantar. Ah, e porque é versátil – eu mudei boa parte dos ingredientes da receita original (que é uma criação do Henrique Sá Pessoa).

 

Resumindo: nesta receita é tudo bom. Experimentem, testem, alterem... Se não sair perfeita da primeira vez, não desistam! Vale a pena tentar, tentar e voltar a tentar. Cá em casa não foi fácil mas depois atingir "o ponto"... Ai! :)

 

Tacinhas de espinafres e cogumelos com ovo.

 

*DOC - distúrbio obsessivo-compulsivo.

 

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Tacinhas de espinafres e cogumelos com ovo

Ingredientes [para duas pessoas]:

1 molho (grande) de espinafres

200 g de cogumelos (use os que preferir ou os que tiver aí em casa)

75 g de bacon em tiras ou cubos

½ cebola grande picada

1 dente de alho picado

Azeite, sal, pimenta, tomilho fresco e piri-píri q.b.

2 ovos

Queijo ralado q.b.

Pão q.b.

 

***

 

Para começar, lave os espinafres e arranje os cogumelos (se forem muito pequenos, podem ficar inteiros; caso contrário, corte-os a meio ou em quartos).

 

A seguir, num wok, numa frigideira ou num tacho vai colocar azeite a aquecer. Quando estiver quente, junta a cebola e o bacon. Deixa fritar um bocadinho e a seguir junta também os cogumelos, as folhas de tomilho e o alho picado (mesmo bem picadinho). Vá salteando e ao fim de uns cinco, dez minutos junte os espinafres. Tempere com sal, pimenta e piri-píri a gosto.

 

Enquanto os espinafres reduzem, aproveite para untar duas taças (para doses individuais) com um pouco de azeite e coloque o forno a aquecer nos 180º C. (Espreite as notas, por favor.)

 

Quando a mistura de cogumelos e espinafres estiver pronta, distribua metade por cada tacinha. A seguir abra, com-muito-cuidado, um ovo para cada taça. Tempere os ovos com sal e leve as taças ao forno, aí uns 10 a 12 minutos.

 

Quando a clara estiver branca e cozinhada (no fundo isto são ovos escalfados no forno), ponha as tacinhas cá fora, polvilhe-as com o queijo ralado e sirva logo, ainda quentinho, com uma fatia de pão a acompanhar.

 

Bom apetite! :)

 

Tacinhas de espinafres e cogumelos com ovo.

 

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Notas:

* A questão do forno é... Bicuda, vá. Aqui indiquei os "valores" da receita original – 180º C, 10 a 12 minutos. Acontece que no meu forno, que é a gás e que só tem calor em baixo, isto não resulta. De todo. Se fizer assim, passados os 10 minutos tenho a gema seca e a clara crua. Por isso encontrei – depois de várias tentativas, lá está – outra solução: forno baixo (130º C, mais ou menos) e aí uma meia hora. Não é tão rápido, claro, mas é a forma que resulta aqui em casa.

 

* Quando puser os espinafres nas taças, alise-os o mais que puder. Quanto menos arestas houver em baixo menos hipóteses há de a gema se abrir. De resto, é mesmo uma questão de alguma sorte e alguma técnica... Deite o ovo devagarinho e o mais em baixo que conseguir.

 

* A receita original leva queijo da ilha. Mas pode alterar – se não gostar, ou se preferir usar outro, ou se tiver outro aí em casa, vá em frente. E o mesmo vale para os ingredientes. Eu substituí chouriço por bacon e tomate seco por cogumelos, porque prefiro assim. Vá experimentando combinações!

 

Tacinhas de espinafres e cogumelos com ovo.

29
Set17

O konjac, essa bela descoberta.

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Como já aqui disse, não sou vegetariana. Não tenho intolerâncias alimentares. E dietas também não são comigo. Enfim... Faço algum esforço, perfeitamente razoável, para não aumentar de peso. Mas não me proíbo nada. A minha preocupação é sobretudo comer de forma saudável e variada, mas há espaço para tudo! Legumes, molhos, peixe, queijo, carne, chocolate, sobremesas, saladas... Nesta casa faz-se de tudo, dos crus aos gratinados (bom, os fritos estão praticamente desaparecidos, confesso). O cuidado está apenas em só fazer uma refeição menos recomendável por cada 10 ou 15 em que tudo, ou quase tudo, bate certo.

 

Por outro lado, variar também é muito importante. E não o é só do ponto de vista nutricional, que é o mais importante e mais óbvio. Variar também permite experimentar. Testar. Conhecer sabores novos, procurar texturas, acertar nas combinações, ter cores bonitas no prato. Permite que a comida nunca canse. Que haja sempre algo novo. Que as repetições sejam poucas.

 

No que toca a experiências com novos alimentos, faço-as sobretudo com legumes, leguminosas e afins. Por isso é que a quinoa chegou cá a casa, por exemplo – e ficou por ser saudável, claro, mas acima de tudo porque eu a-d-o-r-o aquele sabor. E também cá chegaram as lentilhas, o tofu ou o cuscuz (e o bulgur vem a caminho). Experimentei tudo isto noutros lugares e gostei tanto que decidi fazer também.

 

Outra coisa que chegou há uns meses foi o konjac, por sugestão da minha "irmã". Só me dizia maravilhas: é bom, nem se percebe que não é mesmo massa, tem 10 calorias por dose, faz-se em três tempos, é versátil, apanha os sabores do que se lhe juntar... E por aí fora.

 

Bom, e lá foi a Sofia em busca do konjac.

 

Assim numa explicação muito breve e pouco científica, o konjac é uma fibra que é retirada da raiz de uma planta com o mesmo nome. Lá para as Ásias é muito usada, na culinária e não só. Se escreverem o nome no Google vão ver que do konjac se fazem cápsulas para emagrecer mas também esponjas para a pele. E, além disso, fazem-se as "massas" – que na verdade são estas fibras em formato de massa. Esparguete, fettuccine, noodles... Há várias opções.

 

É verdade que a ideia de fazer uma massinha boa, caseira, com o que houver no frigorífico e por 10 calorias por dose (só da "massa", atenção) é aliciante. Apetece experimentar. E eu experimentei.

 

Veredicto: não passa totalmente por massa a sério, não. Mas isso não significa que não seja bom – é. Eu, pelo menos, gosto. O konjac fica molinho e suave. Com os restantes ingredientes e o molho que lhe quiserem pôr, fica ótimo. (Aqui o molho é particularmente importante, se querem que o konjac se pareça, dentro do possível, com massa. Nesse caso konjac seco não vai mesmo resultar.)

 

No caso da comida oriental, por exemplo, o konjac pode substituir os noodles normais, ou a massa de arroz.

 

O mais importante para o konjac saber bem é mesmo o que se lhe acrescenta. Não tem lá grande sabor, por isso é preciso ir buscá-lo a outros lados. Cá em casa já fiz algumas vezes, nas versões esparguete e fettuccine, e resultou sempre bem. Desta feita, foi para um jantar levezinho, e acabou por sair uma versão quaaase vegetariana. Cheia de cor e de sabor!

 

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Konjac de vegetais (com um bocadinho de parmesão)

Ingredientes [para duas pessoas]:

250 de konjac [versão esparguete]

1 courgete média

1 cenoura média

180 g de cogumelos frescos [os que preferirem – eu usei portobello, porque tinha cá em casa]

250 g de tofu

150 g de ervilhas

6 a 8 mini tomates-chucha

250 ml de creme de soja

4 a 6 colheres de chá de sumo ou polpa de tomate

Molho de soja, alho em pó, mel e tomilho q.b. [para a marinada do tofu]

Azeite, sal, colorau, orégãos, manjericão, alho e pimenta preta q.b. [para o salteado]

Coentros e lascas de parmesão q.b. [para finalizar]

 

***

 

A primeira coisa a fazer, pelo menos com uma meia hora de antecedência, é tratar do tofu. Escorra-o, passe-o por água, seque-o com papel de cozinha e corte-o em cubos. Numa taça onde caibam os cubinhos todos, e que seja mais funda que larga, coloque, a gosto, molho de soja, alho em pó, tomilho e mel. Misture bem e deixe o tofu a marinar nesta mistura. Vá-lhe dando umas voltinhas, para ele ganhar sabor por igual.

 

Quando for altura de fazer o almoço ou o jantar, vai começar por arranjar os legumes, cozer as ervilhas e escaldar o konjac.

 

Quanto aos legumes: a cenoura vai ser ralada; os cogumelos são para limpar muito bem e cortar em pedaços médios; a courgete, neste caso, foi espiralizada, mas pode perfeitamente ralá-la, também.

 

As ervilhas vão cozer em água temperada com sal. (Não deixe que fiquem demasiado moles, para depois não se desfazerem quando as juntar ao resto.)

 

O konjac é preparado tal como diz na embalagem: escorre o líquido em que vem conservado (eu sei que o cheiro não é o melhor, mas não desista agora), lava bem debaixo de água corrente e leva um minuto ao lume, em água a ferver ligeiramente e temperada com sal. Depois coa e reserva quase até ao final.

 

Num wok, ou pelo menos numa frigideira grande, salteie os cogumelos em azeite, e temperados com sal, um bom dente de alho picado, pimenta preta, colorau, orégãos e manjericão. Logo de início, ou um pouco depois, junte o tofu e a marinada. Deixe saltear.

 

A seguir, vão juntar-se à festa a cenoura e a courgette. Continue a saltear. Depois, junte as ervilhas, que entretanto já cozeram, e o konjac. Envolva bem e deixe cozinhar – em lume médio, para o konjac absorver os sabores. Ainda antes do molho, junte os tomates, cada um cortado em três pedaços. (Vai dar sabor mas sobretudo cor.)

 

Por fim, junte o creme de soja e a polpa de tomate, envolva tudo muito bem e deixe ferver um bocadinho. Veja se precisa de fazer algum ajuste ao tempero, apague o lume e sirva logo, para estar bem quentinho e suculento! Decore com coentros picados e, se não tiver nada contra, com umas lasquinhas de parmesão.

 

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Notas:

* Os cogumelos não se lavam. Bom... Os cogumelos são tipo esponja. Por isso, quanto mais água se lhes chega mais eles absorvem – o que os vai impedir de ganhar aqueles saborzinhos bons do salteado, e dos outros ingredientes, e do molho... Comece por sacudi-los bem. Se ainda houver terra, limpe-os um a um com uma toalha de papel húmida  (é um trabalho de paciência, eu sei, sobretudo quando são muitos). Em último caso, se a terra for muita e nem assim se conseguir livrar dela, lave também um a um mas debaixo da torneira e só com um fiozinho de água a correr. Muita água, não. E pô-los de molho, nem pensar!

(A melhor maneira de tornar isto mais simples é escolher os cogumelos mais limpinhos que encontrar. Quando se compra avulso a tarefa é mais fácil, claro.)

 

* Se quiser usar outras ervas no salteado, pode e deve fazê-lo!

 

* O molho pode, claro, ser feito com natas. Aliás, esta receita é só uma base – pode juntar e tirar o que quiser.