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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

13
Mai20

Salsichas, agrião, maçã – improvável mas delicioso!

Hoje temos petisco. E dos bons!

 

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© Hirsheimer & Hamilton

 

Nos longínquos inícios desta era de isolamento subscrevi uma série de newletters de culinária, gastronomia e afins. Entre um curso digital de bases de culinária (que recomendo a todos aqueles que falem inglês – por mais que saibam sobre tachos, molhos e tipos de carne é bem possível que aprendam algo de novo), uma revista sobre os restaurantes de Nova Iorque (e agora sobre o drama em que eles vivem) ou uma publicação online dedicada à(s) história(s) da gastronomia, comecei a ter muito com que me entreter reunido no meu e-mail. Manter toda a leitura em dia é outra história... Mas faço por isso, ainda assim.

 

Numa dessas newletters (a da Epicurious, mais dedicada a receitas), apareceu-me um link para uma daquelas listas de "vinte e dois jantares para fazer em quinze minutos". Eu nem sou muito dada a estes "compêndios"; para já, os quinze minutos nunca são quinze minutos (o curso de cozinha ali de cima dá boas pistas a respeito desse tema), e depois na maioria dos casos as receitas não me cativam lá muito. Mas, sabe-se lá porquê, nesse dia decidi deixar-me surpreender. E foi algures no meio dessa lista que me apareceu a receita de hoje.

 

Não sei se o que me falou ao coraçãozinho culinário foi a maçã (adoro cozinhar com fruta – bem mais do que comê-la crua...), o agrião ou toda a mistura em si. Sei que achei que isto tinha de ser bom.

 

Só não pensei foi que fosse TÃO bom!

 

Pode parecer uma mistura estranha. Usar agriões como quem usa espinafres numa receita assim não é algo a que estejamos muito habituados, por exemplo. E o resultado final não é exatamente o tipo de petisco que costumamos programar para uma sexta-feira à noite (bom, vocês lá sabem da vossa vida...). Ma, certo, certo é que este prato vai entrar na rotação cá de casa.

 

É tão bom que nem o fotografei. Esqueci-me. E quando me lembrei já não ia a tempo...

 

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Salsichas com maçã e agrião

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 c. de sopa de azeite

4 maçãs pequenas (eu usei vermelhas), cortadas a meio

6 salsichas frescas

½ chávena de vinho branco

1 c. de sopa de vinagre balsâmico

6 bons punhados de folhas de agrião

 

***

 

Então vamos lá: comece por aquecer o azeite numa frigideira larga. Quando estiver quente, leve as maçãs a fritar (com a parte cortada virada para baixo). Esta parte vai demorar uns dez, doze minutos. A meio vire-as ao contrário um bocadinho, para dar uma cor do outro lado, e depois volte a virá-las para baixo. Se vir que é preciso, junte mais um bocadinho de azeite.

 

Entretanto, pique as salsichas com um palito. Quando as maçãs estiverem tostadinhas, tire-as da frigideira e junte as salsichas. Deixe-as ganhar uma cor de todos os lados (e vire-as com cuidado, para não se desmancharem). Quando estiverem prontas, junte o vinho e o vinagre, deixe levantar fervura e baixe o lume, para o molho reduzir. Isto vai demorar uns cinco, seis minutos – mas faça o truque da colher: se o molho a cobrir pela parte côncava, está pronto.

 

A seguir, para terminar, tire as salsichas, junte o agrião, deixe-o quebrar e volte a colocar na frigideira as salsichas e as maçãs.

 

E está pronto. É só servir.

 

Prometo que vai valer a pena!

 

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11
Abr20

Um breve regresso em forma de bolo de maçã.

Apple-Cake-Bite.jpg

© Pinch of Yum

 

O Gulinha ficou parado, quietinho no seu canto digital, há um pouco mais de dois anos. Foi um projeto bonito, que comecei com empenho e sonho, mas que deixei de conseguir manter. Por mais que eu adore cozinhar, por mais que a cozinha seja o meu cantinho neste mundo, garantir uma dinâmica de receitas novas pelo menos uma vez por semana, com as respetivas fotografias e os respetivos textos, no meio do trabalho e de todas as outras tarefas, é bem mais complicado do que parece. Foi por isso que este blog parou.

 

Mas eu não parei, claro – quem me segue no Instagram sabe que por lá continuou a aparecer “bonecada”, numas vezes mais bonita que noutras, do que vai acontecendo na cozinha cá de casa. Tal como muita gente, fiz pão aqui há dias (não foi a primeira vez, ainda assim). E o meu forno já viu mais bolos no último mês que no espaço de um ano inteiro.

 

Ora, esta noite, no meio de uma breve insónia, pensei: “porque não?”. Porque não voltar ao Gulinha? Afinal de contas as últimas semanas têm sido ricas em experiências. E algumas foram fotografadas – não há fotografias tiradas especificamente para o blog, pelo que podem não ser as melhores para um espaço como este, mas há as que ficaram de almoços, jantares, petiscos e doces felizes.

 

E é assim que o Gulinha regressa. Não sei bem com que periodicidade nem por quanto tempo... Mas por agora está de volta. :)

 

E volta com doçuras. Mais precisamente com um bolo de maçã, do blog Pinch of Yum, que estava na minha lista de receitas para experimentar há meses e mais meses. Aqui há dias, aproveitando que tinha todos os ingredientes cá em casa (elemento essencial nestes tempos que vivemos), o dito bolo aconteceu. É uma relíquia, por ser tão simples de fazer e TÃO delicioso. As fotografias são péssimas – tal como escrevi no Instagram quando as publiquei, não sei porquê mas não houve uma fotografia deste bolo que me saísse bem. É por isso, e porque os olhos são os primeiros a comer, que esta publicação começa com uma fotografia da receita original.

 

Quanto ao bolinho... Ai. É uma maravilha. A massa é assim para o húmida, mas com uma parte de cima bem crocante. É uma perdiçãozinha… Se puder, faça dele o próximo aí de casa. A sério. Vale mesmo, mesmo a pena.

 

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O melhor bolo de maçã que já comi

Receita do blog «Pinch of Yum»

Ingredientes:

Para o bolo:

1 + ½ chávenas de açúcar mascavado

⅓ de chávena de óleo

1 ovo

1 chávena de leitelho (ou 1 chávena de leite + 1 c. de sopa de vinagre branco)

1 c. de chá de baunilha

2 c. chá de canela

1 c. de chá de bicarbonato de sódio

2 + ½ chávenas de farinha

2 + ½ chávenas de maçã em tirinhas (+/- duas maçãs – ver notas no final da receita)

Para a cobertura:

½ chávena de açúcar

1 c. de chá de canela                                               

1 c. de sopa de manteiga derretida

 

***

 

Anotação 2020-04-11 114814 (1).png

 

Comece por pré-aquecer o forno nos 160º C e por untar uma forma ou um pirex retangular (35 cm x 25 cm é uma boa medida de referência).

 

Depois, misture todos os ingredientes da massa do bolo, até ficarem bem envolvidos, e verta na forma.

 

A seguir, numa tacinha à parte vai misturar os ingredientes da cobertura e polvilhar, ou espalhar uniformemente, sobre a massa.

 

Leve ao forno por cerca de 45 minutos (pode fazer o teste do palito aos 40). Quando o bolo estiver cozido, retire-o do forno, deixe-o arrefecer um pouco… E prove-o!

 

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Notas:

* Vou precisar de recorrer mais uma vez a uma fotografia do Pinch of Yum. Esta é para lhe mostrar como é que deve cortar/picar a maçã. Em cubinhos pode ficar muito pesada, e ter tendência para se acumular no fundo do bolo; ralada, vai dar aroma, mas vai acabar por não se sentir. A solução ideal acaba por ser laminá-la. Assim:

 

How-To-Cut-Apples-for-Apple-Cake.jpg

© Pinch of Yum

23
Jan18

Sol de inverno numa tarte.

Tarte de maçã.

 

Que bom que é fotografar com sol. Eu não percebo nada de nada de nada do assunto, mas que a comida fica logo mais bonita, mesmo sem grandes enquadramentos... Isso fica.

 

Quanto a esta tarte de maçã, também ela é sol. Na mesa e no coração. É linda, douradinha, suave, leve e deliciosa. Fica doce q.b. – nem muito nem pouco. E é tão fácil de fazer! Mas fácil assim do género mais fácil era impossível. A sério. Mesmo quem não faz sobremesas porque isto e porque aquilo pode avançar para esta à confiança. Não tem por onde correr mal! E uma tarte de maçã nunca desaponta... Muito menos esta. Pode bem ser a solução ideal se, por exemplo, vai jantar a casa de alguém e quer levar alguma coisa que agrade a meio mundo e provavelmente a outro meio e que esteja no forno dez minutos depois de pôr o avental. Ou se tem um almoço aí em casa e entre entradas e pratos fica com pouco tempo para "saídas".

 

(E, sendo tarte de maçã, há sempre aquele lado psicológico do "é mais ou menos fruta...".)

 

A receita não é nova. Muito menos é minha. Tem anos e anos e existe, com pequenos "twists", em muitas casas. E em muitos blogs. E em muitos sites. Mas fica aqui, também – mais não seja para que eu nunca a perca, que esta é daquelas que dá sempre jeito ter à mão!

 

Tarte de maçã.

 

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Tarte de maçã (rápida e fácil)

Ingredientes:

1 base de massa quebrada ou areada

3 a 5 maçãs reinetas

2 ovos

1 pacote de natas (ou de creme de soja)

3 c. de sopa de açúcar mascavado

Canela q.b.

 

***

 

Tarte de maçã.

 

Antes de preparar a tarte, coloque o forno a aquecer nos 180º C e retire a massa do frigorífico.

 

Descasque as maçãs e corte-as em oito pedaços (ou, provavelmente, mais finas – mas depende do tamanho delas).

 

Numa taça misture bem, mas sem bater, as natas/o creme de soja, os ovos e o açúcar.

 

Coloque a massa numa tarteira e pique o fundo com um garfo. A seguir vai lá colocar as fatias de maçã, bem arrumadinhas (fica bonito e coze tudo por igual). Depois polvilha a maçã com canela (a gosto – eu devo ter usado aí umas duas colheres de sobremesa...) e por cima deita o creme. Se houver pedacinhos de maçã muito "à tona", é pressioná-los ligeiramente, para que não fiquem demasiado tostados.

 

Para evitar que a massa queime (e também para a tarte ficar mais bonitinha) dobre-lhe os bordos para dentro.

 

E está tudo feito! É só levar ao forno até a massa dourar e o creme cozer. Isto vê-se a olho: quando o líquido já não "abanar", está pronto. Uns 25 minutos devem chegar, mas varia muito de forno para forno.

 

Tarte de maçã.

 

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Notas:

* Eu usei creme de soja, e a tarte ficou ótima – mas o resultado final é bastante diferente se se usarem natas. Aliás, eu uso creme vegetal quase sempre e acho que nunca notei tanto as diferenças como nesta tarte. Com creme de soja o sabor fica mais suave; com natas, a tarte é mais "gulosa"... ;)

 

* A receita habitual leva entre duas e três colheres de sopa de açúcar branco. Mas eu tenho um amor especial por aquele "travo" do açúcar mascavado, por isso decidi usá-lo aqui. E resultou muito bem.

 

* Dependendo do tamanho da tarteira, pode ser preciso acrescentar mais um ovo e mais meio pacote de natas/creme de soja (e eventualmente mais um bocadinho de açúcar).