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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

11
Out17

Mel, cogumelos, leitelho e uma carne com o seu quê de outono.

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

 

Estou numa daquelas semanas de levantar cedo, deitar tarde e apagar 17 fogos por dia. As coisas nem sempre vêm, mas quando vêm gostam de vir todas ao mesmo tempo. Nada de doses homeopáticas.

 

É evidente que, com tanta coisa e tanta coisinha, o tempo para cozinhar é pouco. Aliás, o tempo é pouco, ponto. Para cozinhar e para tudo. São obras em casa, é um bolo de anos que mais parece o meu projeto de vida, é um jantar de aniversário com tudo o que tal coisa envolve e que se tornou numa complexa teia de aldrabices (porque é surpresa, note-se), é família que chega a Lisboa, é presentes para ir buscar, é exames de rotina... Tenho muitos post-its digitais e outros tantos na cabeça. E tenho aquela sensação permanente de que me está a escapar qualquer coisa.

 

No meio desta lufa-lufa, do vai aqui/segue para ali/corre para acolá/compra isto/faz aquilo/liga a X/avisa Y/vai ter com Z, escusado será dizer que as experiências na cozinha ficaram em stand-by por estes dias. Para a semana volta tudo ao normal, mas nesta é difícil conseguir mais do que uma sopa ao jantar e um peixinho grelhado ou uma salada ao almoço. Ainda assim, ontem deu para um pouco mais, naquele que foi o meu último intervalo sem afazeres até sábado. Por um pouco mais entenda-se estufar carne, improvisando em tudo o resto – precisava de espaço no frigorífico e de gastar várias coisas. E foi assim que saiu esta preciosidade. Ervas, leitelho, mel, vinho tinto... Tudo em bom! Ao calhas, mas bom. :) É um prato com qualquer coisa de outono, na cor e até no sabor. No meio do caos e com algum cansaço à mistura, foi revigorante fazê-lo e comê-lo.

 

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

 

 ---

 

sep receitas.png

 

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

Ingredientes [para duas pessoas]:

400 g de carne de vaca para estufar em cubinhos

1 cebola média

2 dentes de alho

1 folha de louro

2. c de sobremesa de tomilho

2 c. de sobremesa de segurelha

2 dl de vinho tinto

1 cenoura grande

12 mini tomates-chucha

Azeite, sal e pimenta preta q.b.

3 dl de leitelho

3 c. de chá de mel

200 g de cogumelos marron

 

***

 

A preparação é muito simples. Basta colocar, num tacho, uma cama de cebola em meias-luas com o azeite. Por cima vai pôr a carne e todos os outros ingredientes, menos o leitelho, o mel e os cogumelos. A cenoura vai cortada em rodelas fininhas, ou meias-luas, e os tomates são cortados a meio e espremidos lá para dentro.

 

Quando já tiver tudo no tacho, tapa-o e leva ao lume, para estufar. De início pode ter o lume um bocadinho mais forte; depois, reduza e deixe estufar lentamente, para que a carne não fique dura. Vá mexendo de vez em quando.

 

Entretanto, arranje os cogumelos e reserve. (Eu parti os meus em quatro, porque gosto de apanhar aqueles pedaços gordinhos e suculentos.)

 

Cerca de uma hora depois, apague o lume, deixe arrefecer ligeiramente e junte o leitelho, aos poucos. (O dito tem alguma tendência a talhar, daí que possa não ser boa ideia fazer isto com o lume aceso.) Junte também o mel e misture. Por fim, entram os cogumelos.

 

Leve novamente ao lume, para o molho já com o leitelho apurar e os cogumelos cozinharem. Uns dez minutos devem chegar.

 

E está prontinho!

 

Carne estufada com leitelho, mel e cogumelos

 

sep notas.png

 

Notas:

* Usei leitelho porque tinha sobrado de uma outra receita aqui há uns dias. Nem sabia muito bem como ia correr com a carne, mas não correu mal – pelo contrário! Seja como for, pode substituir por natas, cremes vegetais ou iogurtes, sem problema. Se quiser mesmo experimentar com o leitelho, há à venda no supermercado do El Corte Inglés. E já agora: há uma maneira de fazer leitelho em casa, a partir de leite e sumo de limão. Eu já experimentei, mas não fiquei absolutamente convencida. Tenho de voltar a testar.

 

* Cogumelos marron ou outros que aí tenha ou de que goste mais! Eu tinha destes e por isso foi destes que usei.

 

* Noutras circunstâncias teria feito isto com tomate em calda. Mas tinha ali uns tomates cherry pequeninos e bons mas bons! Por isso...

 

* Não sei se é fácil encontrar segurelha à venda. Eu costumo comprar no "meu" talho, que tem um expositor cheio de saquinhos de ervas. São biológicas, secas ao natural e mesmo muito saborosas (não têm nem um bocadinho que ver com as que se compram nos supermercados). Claro que serem frescas é o ideal, mas à falta de melhor...

24
Set17

O doce agridoce de umas asinhas de frango.

Asinhas de frango com molho de manga.jpg

 

 Adoro agridoce. Com picante q.b. ali no meio, então...

 

Sei que os agridoces não são lá muito consensuais. Há quem adore e quem deteste. Eu estou, claramente, no primeiro grupo. Não é que faça muitas vezes, porque fazendo só de vez em quando tem ainda mais graça; mas cá em casa há duas ou três receitas das habituais que envolvem mel, fruta e piripíri. Cheiram bem e sabem ainda melhor.

 

(Sobre o mel, hei de falar um dia destes. Mas que é das melhores coisas que existem para levar os pratos salgados mais longe... Isso é.)

 

O almoço de hoje foi, sim, agridoce. Perfumado, intenso na medida certa, colorido e leve. A receita foi uma estreia. Encontrei-a algures, já não sei bem onde, e fiz-lhe as minhas adaptações, para lhe dar um pouco mais de sabor. Para quem gosta de frango e de molhinhos assim mais adocicados e consistentes – este é um chutney muuuuito a fingir –, é uma bela ideia. Eu fiz dela almoço, mas pode perfeitamente ser um petisco de fim de tarde, por exemplo.

 

E cheira tão bem...

 

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Asinhas de frango com molho de manga

 

Ingredientes [para duas pessoas]:

450 g de asas de frango do campo

1 manga

¼ de pimento vermelho

3 dentes de alho

½ chávena de farinha

¼ de chávena de vinagre de tomate

⅓ de chávena de mel

2 c. de sopa de sumo de lima

Sal, pimenta preta, colorau, piripíri, alho em pó e vinho branco q.b.

 

***

 

A primeira coisa a fazer é partir as asas de frango em três pedaços e dar um golpe dos dois lados de cada pedaço. Depois, tempere com sal, pimenta preta e um dente de alho picado. Regue com o vinho branco, na quantidade que preferir, e deixe marinar pelo menos 1 hora.

 

Na altura de começar a cozinhar, ponha o forno a aquecer, aí nos 220º C.

 

Enquanto o forno aquece, numa taça misture a farinha, um pouco de piripíri, e três pitadinhas – uma de sal fino, outra de pimenta e outra de alho em pó. (Atenção às quantidades, porque a carne já está temperada.) Quanto tiver esta mistura feita, tira as asinhas da marinada, seca-as bem em papel de cozinha e envolve-as na farinha. Depois tem de sacudir bem (a ideia é ficarem com uma capa fininha de farinha, não é fazer uma massa...).

 

À medida que for passando as asas pela farinha, coloque-as num tabuleiro com grelha. Por baixo da grelha pode colocar papel de alumínio ou papel vegetal – a gordura da pele do frango vai pingar, e assim depois é mais fácil limpar o tabuleiro.

 

Quando já tiver todas as asinhas prontas, leve ao forno. A meio do tempo, não se esqueça de virar todos os pedaços, para que tostem dos dois lados. No meu forno esta parte demorou aí uma hora, mas vai depender sempre do daí de casa. (O meu não é muito despachado, por isso o melhor é começarem por uns 20 minutos de cada lado e depois verem se a carne está bem passada.)

 

"Nos entretantos", pode ir tratando do molho. Num copo triturador, num liquidificador ou em algo parecido, coloque a manga descascada e em pedaços, o pimento cortado em tiras, dois dentes de alho, colorau (eu pus aí meia colher de chá), o vinagre e o sumo de lima. Depois é só triturar. Vai ficar com uma espécie de polpa espessa e muito cor-de-laranja.

 

A seguir coloca este "sumo" de manga numa frigideira (se for antiaderente vai tudo correr bem) e junta o mel e um pouco de piripíri. Liga o lume, baixinho, e vai mexendo, para não pegar. A ideia é que o líquido vá fervendo levemente. À medida que ferve, vai espessando. Ao fim de uns 10 minutos já deve ter engrossado o suficiente, mas vá vendo.

 

Por esta altura já as asas de frango devem estar cozinhadas. Passe-as uma a uma no molho, de maneira a que fiquem totalmente cobertas, e coloque-as num outro tabuleiro, forrado com papel vegetal. A seguir, leve outra vez ao forno, novamente a 220º C. Se o seu forno der calor só por cima, é agora que vai usar essa opção. Se não der, muita atenção: 10 minutos, no máximo. Caso contrário a parte de cima fica linda mas a de baixo fica queimada.

 

Quando chegar ao fim deve ter umas lindas asas de frango, laranjinhas e levemente caramelizadas. Eu servi com um pouco de arroz branco, soltinho, e pus o que sobrou do molho numa tacinha à parte, para se poder juntar ao arroz (ou mesmo ao frango).

 

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Notas:

* Quando tirar as asinhas do forno para servir, não vai ser nada boa ideia tocar-lhes com as mãos. Há mel naquele molho, lembra-se? Mel. A ferver.

 

* Digo frango do campo porque uso sempre frango do campo. Aviário só quando vou à churrasqueira. Mas é claro que isto é opcional!

 

* O que não é opcional, e nunca é demais lembrar, é o ponto da carne. É frango, por isso já se sabe que tem de ficar mesmo, mesmo bem passado. Os golpes na carne são para "ajudar" o tempero mas também para a cozedura ser mais rápida. E para ser mais fácil saber se a carne está pronta.

 

* Para quem não gosta de picantes, ou não se dá lá muito bem com eles, ou tem criançada em casa: é claro que a pimenta e o piripíri são opcionais.

Sofia.

Mais Gulinha.

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