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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

06
Fev18

Que nunca nos faltem os espargos.

Peitos de frango com espargos.

 

Os espargos chegaram cá a casa meio por acaso. E foi uma descoberta tardia – eu sei que há quem os coma habitualmente desde sempre, mas nós estreámo-nos só há coisa de uns dois anos. Vidas...

 

A estreia deu-se num restaurante que adoramos – chama-se A Cabana, fica em Arronches e é um pequeno paraíso gastronómico. Arronches (já agora falo-lhe um bocadinho deste assunto) é seguramente um dos sítios deste país onde melhor se come. Não há restaurante que experimentemos ali e que não seja bom. A comida é sempre deliciosa e bem servida, e a relação qualidade-preço é imbatível. Tudo é ó-t-i-m-o; só que A Cabana tem qualquer coisa que a leva além do ótimo. O espaço, a simpatia do Luís (dono, cozinheiro e anfitrião), o conforto, a hospitalidade, o menu pequeno mas de se perder o juízo... Não sei. Só sei que ir a Arronches e não passar por lá é sacrilégio.

 

(Aparte: não – este post nao é patrocinado.)

 

Bom. Vem isto a propósito de espargos (por incrível que pareça). Há algum tempo – eu diria, sim, uns dois anos –, numa das nossas visitas ao dito restaurante, decidimos experimentar carne (entrecosto, se não me engano) com migas de espargos. E claro que descobrimos (sem grande surpresa, note-se) que espargos é bom. Aqueles, então... Biológicos, colhidos à mão pela família, amarguinhos na medida certa... Enfim. Acho que já se percebeu a ideia. E isso foi quanto bastou para entrarem no cardápio cá de casa.

 

(É claro que aqui, em Lisboa, é um bocadinho mais difícil conseguir os espargos ideais. Mas não é isso que me trava, já se sabe.)

 

Peitos de frango com espargos.

 

Os espargos são, portanto, a estrela da receita de hoje. Descobri-a aqui há tempos no blog do Casal Mistério, mas vem de outro que também sigo – o I Wash, You Dry. A boa notícia é que só precisa de três ingredientes (e mais uns temperos); outra boa notícia é que isto se faz em três tempos. E ainda há mais três notícias boas: esta é uma receita (quase) light, que fica d-e-l-i-c-i-o-s-a e que é muito boa ideia para quem leva almoço para o emprego.

 

Tudo pronto desse lado? ;)

 

---

 

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Peitos de frango com espargos

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 peitos de frango (abertos ao meio)

Sal, pimenta preta, alho em pó, colorau e raspa de limão q.b.

6 a 8 espargos

4 fatias de queijo mozzarella em bola

1 c. de sopa de azeite

 

***

 

Peitos de frango com espargos.

 

Antes de mais, ponha o forno a aquecer nos 220º C.

 

Enquanto o forno aquece, tempere o interior dos peitos de frango com sal, pimenta preta, alho em pó, colorau e raspa de limão. Disponha depois duas fatias de queijo mozzarella em cada peito e por cima coloque três a quatro espargos (não se esqueça de antes lhes cortar os pés). Feche os peitos de frango – palitos ou cordel de cozinha podem ajudar – e tempere a parte de fora com os mesmos temperos que usou no interior.

 

Coloque o azeite a aquecer numa frigideira (se tiver uma em ferro fundido, use-a, porque depois pode levá-la ao forno; se não tiver, use qualquer outra – depois transfere a carne para um tabuleiro). Cozinhe os peitos de frango uns três a cinco minutos de cada lado, até que fiquem douradinhos.

 

Cubra a frigideira com papel de alumínio (ou o tabuleiro, se transferir a carne) e leve ao forno por mais 15 a 20 minutos.

 

Quando o tempo passar, retire a frigideira/o tabuleiro do forno e deixe repousar cá fora por cinco minutos, ainda com o papel de alumínio. (Esta parte é essencial para que a carne fique suculenta – não a salte!)

 

Eu servi, como se vê, acompanhado com arroz selvagem. E fizeram um ótimo par!

 

Peitos de frango com espargos.

 

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Notas:

* Eu usei mozzarella em bola. A receita original sugere provolone, que cá nem sempre se consegue encontrar. Mas, se tiver aí outro queijo, vá em frente! Queijo ralado resulta. Aliás: qualquer queijo, em qualquer formato, resulta.

 

Peitos de frango com espargos.

 

11
Jan18

Ano novo, brinquedos novos – e uma receita com um nome giro.

Shakshuka.

 

Pedi brinquedos ao Pai Natal cá de casa. E ele foi, como é sempre, muito generoso. Pedi uma frigideira em ferro fundido (essa coisa linda e retro-vintage que inundou Instagrams, Pinterests e blogs desta vida) e o Pai Natal trouxe; pedi mini-cocottes da Le Creuset e o Pai Natal não trouxe – entusiasmou-se e em vez disso trouxe-me uma cocotte das grandes.

 

Cocotte Le Creuset

 

(E pedi livros de receitas e o Pai Natal trouxe, e não pedi uma balança antiga linda-mas-linda mas o Pai Natal também trouxe...)

 

Ora, como é que se agradecem presentes destes? Com muito amor e com muitas receitas boas!

 

Para o arranque do Gulinha neste novo ano, voltemos ali atrás, à frigideira de ferro fundido. Além de, sim, ser uma das coqueluches (isto ainda se diz?) da Internet, tem a vantagem clara de tudo o que é em ferro: dá para fogão (a gás ou elétrico) e forno. Ou seja, dá para começar uma receita em cima e acabá-la em baixo. (...) E dura uma vida!

 

É verdade que estas meninas têm, pelo menos cá, o problema do preço. Se queremos apostar numa marca que nos ofereça garantias temos de pagar qualquer coisa por isso – sendo que lá fora há ótimas alternativas por bons preços, só que os portes estragam tudo. A sorte foi que, semanas antes do Natal, andava eu por essa Amazon fora a namorar frigideirinhas quando encontrei uma da Kitchen Craft no site espanhol a um preço lindo de morrer. Parecia mentira. E então, lá está, dei a dica ao Pai Natal, explicando-lhe que aquilo era um ótimo negócio. Pronto, e o resto da história já se sabe qual foi...

 

Brinquedo novo, ideias novas. Montes delas. Mas na verdade a estreia da frigideira aconteceu meio por acaso, numa daquelas noites pós-festividades em que não havia sopa feita (fazer sopa no Natal até deve ser pecado) e era preciso desencantar uma ideia simples para o jantar. Meia dúzia de pesquisas por sites e blogs e cheguei à shakshuka. Isso: à shakshuka. E ainda bem que cheguei!

 

Para quem não sabe o que é e se dá bem com o inglês, há este magnífico artigo do The Guardian, que explica tudinho. Mas, resumindo, a shakshuka é um prato com raízes no norte de África e em Israel, que tem como base das bases tomate e ovos. Juntam-se ervas e alguns outros temperos e está feito. Serve, dependendo de onde é feito, de pequeno-almoço, entrada ou prato principal. É tudo cozinhado – e servido – no mesmo recipiente (no caso, na dita frigideira).

 

É bom? Se é! Aliás, é bem melhor do que o que eu esperava. Quer dizer, inicialmente o conceito até me convenceu – caso contrário eu não tinha experimentado. Mas enquanto estava a cozinhar só pensava «então mas isto é molho de tomate com ovos em cima...». Só que não é. Parece, mas não é. É muito mais. E muito melhor.

 

Como fiz isto à experiência, fiquei-me pela versão mais básica (vi várias receitas, e mais uma vez a do Guardian ganhou – de acordo com os entendidos no assunto, reúne todos os essenciais e não vai em nada além deles). E nem sei se me apetece experimentar mais alguma – gostámos tanto, tanto desta!

 

Shakshuka.

 

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sep receitas.png

Shakshuka

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 c. de sopa de azeite

½ cebola grande, bem picadinha

3/4 pimento vermelho em cubinhos

1 dente de alho esmagado

1 c. de chá de colorau

1 pitada de cominhos

1/4 c. de café de pimenta-de-caiena

400 g de tomate muito maduro ou em calda

1 c. de sopa mal cheia de açúcar

½ c. de sopa de sumo de limão

2 a 4 ovos

Coentros picados q.b.

 

***

 

Shakshuka.

 

Para começar, aqueça o azeite em lume médio. (Se usar um recipiente em ferro, não se esqueça de o pôr a aquecer aí minuto e meio antes de colocar o azeite.) Junte depois a cebola e deixe-a cozinhar até começar a ficar douradinha. A seguir vai juntar o pimento e deixar refogar mais um pouco. Quando o pimento estiver suave, junte o alho e as especiarias, mexa e deixe cozinhar por mais uns dois minutos.

 

Depois, vai juntar o tomate e desfazê-lo já na frigideira (ou no tacho), com a ajuda da colher, e vai também envolver o açúcar. Baixe o lume o mais possível e deixe tudo a fervilhar (devagarinho, quase nada) durante uma meia horinha. Vá mexendo, para que não pegue, e retifique os temperos.

 

Passada a meia hora, abra espaços neste "molho" (um por cada ovo). Com todo o amor e carinho, para não rebentar a gema, abra os ovos para esses espacinhos. Tempere-os só com um pouquinho de sal e pimenta. Mantenha o lume muito baixo, tape e deixe que os ovos cozinhem por uns 10 minutos – a ideia é ficar com a clara cozinhada e a gema líquida.

 

Assim que os ovos estiverem prontos, apague o lume. Salpique com o sumo de limão e os coentros picados e sirva com pãozinho acabado de torrar.

 

Simples, leve e d-e-l-i-c-i-o-s-o!

 

Shakshuka.

 

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Notas:

* A pimenta-de-caiena é, digamos, intensa. Por isso, se não estiver habituado a usar, vá com calma, está bem? Comece por ¼ de colher de café e se lhe parecer bem junte depois mais um pouco. Antes isso do que fazer um petisco todo bonito mas impossível de comer. ;)

 

* Em vez de coentros, pode usar salsa. Ou até experimentar juntar louro ou tomilho. Além disso, há também quem use canela.

 

* Ainda sobre os temperos: eu uso cominhos em doses "homeopáticas". Temos uma relação complicada – falando bem e depressa, tudo o que me sabe a cominhos sabe-me a morcela. E eu gosto de morcela! Não acho é muita piada a comida que não a tem lá pelo meio e que mesmo assim lhe toma o sabor. E os cominhos são muuuuito fortes, já se sabe... Daí que tenha sugerido uma pitada. Ponha a gosto. (Eu só não saltei essa parte porque, visto que estava a experimentar a receita, quis-lhe ser o mais fiel possível... E verdade seja dita que pus tão mas tão poucos que o sabor acabou por nem se notar.)

 

* O tomate, como escrevi lá em cima, é a base das bases. O pimento é a "base número 2" – segundo percebi na receita israelita também é essencial, aliás. Mas a partir daqui vale tudo: batata, feijão, milho, alcachofras, courgete... É correr as internetes desta vida e há ideias diferentes para um mês de refeições.

Sofia.

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