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Gulinha.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Peixe, carne, legumes. Entradas, sobremesas, petiscos. Experiências. Dicas. Erros. Um forno temperamental. Mesas para dois ou para dez. Dias bons, muito bons e assim-assim. A minha cozinha tem de tudo. E é o meu sítio mais feliz.

Gulinha.

16
Jan18

Não diga a ninguém, mas isto é massa com legumes.

Mac & cheese de legumes.

 

É. É mesmo. E é das melhores invenções de sempre, sobretudo para quem tem criançada em casa e passa um tormento para os fazer engolir uma rodela de cenoura que seja. Aqui há cenoura, precisamente. E também há abóbora e couve-flor. E ainda há cogumelos.

 

Além de esta receita de "mac & cheese" meio a fingir (que descobri no BuzzFeed)  ser fácil de fazer – é mesmo –, tem aquele lado feliz de ser comida de conforto com muitos legumes lá pelo meio. Engana-se os miúdos, pois. Mas a verdade é que até nós acabamos por nos deixar enganar! E depois, quando nos lembramos de que isto está cheio de coisas que fazem bem, sentimo-nos ainda melhor.

 

Mesmo tendo um prato de massa à frente.

 

Que leva queijo. "Algum" queijo.

 

Mas também leva cenouras, e abóbora, e couve-flor, e cogumelos! Portanto... ;)

 

Resumindo: muitos legumes, forno ligado (no inverno é tão bom, não é?), conforto e simplicidade. Não podia ser melhor!

 

Mac & cheese de legumes.

 

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"Mac & cheese" de legumes

Ingredientes [para seis pessoas]:

450 g de massa cozida (cotovelinhos, espirais, penne, búzios, macarrão, ...)

1 a 2 chávenas de couve-flor (em floretes)

1 a 2 chávenas de abóbora-manteiga (em cubos)

1 a 2 chávenas de cenouras (em rodelas)

200 g de cogumelos shiitake

2 chávenas de leite

2 chávenas de queijo ralado

115 g de queijo creme light

Azeite, sal e alho em pó q.b.

 

***

 

Mac & cheese de legumes.

 

Para começar, há que cozer os legumes num tacho grande e largo. Simples, até aqui (e continua).

 

Enquanto os legumes cozem, pré-aqueça o forno, aí nos 200º C. E aproveite também para saltear os cogumelos num pouco de azeite, temperados com sal e alho em pó. Assim que estiverem prontos, reserve.

 

Quando os legumes cozerem, há que triturá-los – com a varinha mágica, num processador de alimentos, num liquidificador... Onde preferir. Pode ser necessário triturar em duas ou três vezes. Para ajudar, junte meia chávena da água da cozedura.

 

A seguir, deite este creme para o tacho onde os legumes cozeram. Leve a lume médio, médio-baixo, e junte o queijo creme e o leite. Vá mexendo e juntando também o queijo ralado (em duas ou três vezes, para ser mais fácil ir mexendo e deixando derreter). Reserve um pouco, para polvilhar.

 

Assim que o creme de legumes estiver suave, sem pedaços de queijo inteiros, só tem de juntar a massa e os cogumelos e envolver bem. Depois basta passar tudo para um tabuleiro, polvilhar com o queijo que reservou e levar ao forno até gratinar.

 

E está feito! Junte a família à mesa, não diga a ninguém o que usou para fazer aquele molho e aprecie – a massa e os palpites que cada um vai dar. ;)

 

Mac & cheese de legumes.

 

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Notas:

* Eu acrescentei cogumelos à receita original para ter ali qualquer coisa além de massa e molho. Não têm de ser shiitake – eu usei desses porque tinha cá em casa, mas pode usar outros. Também pode, em vez de cogumelos, juntar outros ingredientes: pedaços de couve-flor, cenoura e/ou abóbora inteiros, outros legumes, bacon em tiras... Ou pode ainda manter-se fiel à receita original – o creme de legumes, a massa e mais nada. De certeza que é bom na mesma.

 

* Quanto ao queijo ralado, use o que tiver à mão ou aquele de que gostar mais. Só um, uma mistura... Como preferir. (Eu usei emmental.)

 

Mac & cheese de legumes.

11
Jan18

Ano novo, brinquedos novos – e uma receita com um nome giro.

Shakshuka.

 

Pedi brinquedos ao Pai Natal cá de casa. E ele foi, como é sempre, muito generoso. Pedi uma frigideira em ferro fundido (essa coisa linda e retro-vintage que inundou Instagrams, Pinterests e blogs desta vida) e o Pai Natal trouxe; pedi mini-cocottes da Le Creuset e o Pai Natal não trouxe – entusiasmou-se e em vez disso trouxe-me uma cocotte das grandes.

 

Cocotte Le Creuset

 

(E pedi livros de receitas e o Pai Natal trouxe, e não pedi uma balança antiga linda-mas-linda mas o Pai Natal também trouxe...)

 

Ora, como é que se agradecem presentes destes? Com muito amor e com muitas receitas boas!

 

Para o arranque do Gulinha neste novo ano, voltemos ali atrás, à frigideira de ferro fundido. Além de, sim, ser uma das coqueluches (isto ainda se diz?) da Internet, tem a vantagem clara de tudo o que é em ferro: dá para fogão (a gás ou elétrico) e forno. Ou seja, dá para começar uma receita em cima e acabá-la em baixo. (...) E dura uma vida!

 

É verdade que estas meninas têm, pelo menos cá, o problema do preço. Se queremos apostar numa marca que nos ofereça garantias temos de pagar qualquer coisa por isso – sendo que lá fora há ótimas alternativas por bons preços, só que os portes estragam tudo. A sorte foi que, semanas antes do Natal, andava eu por essa Amazon fora a namorar frigideirinhas quando encontrei uma da Kitchen Craft no site espanhol a um preço lindo de morrer. Parecia mentira. E então, lá está, dei a dica ao Pai Natal, explicando-lhe que aquilo era um ótimo negócio. Pronto, e o resto da história já se sabe qual foi...

 

Brinquedo novo, ideias novas. Montes delas. Mas na verdade a estreia da frigideira aconteceu meio por acaso, numa daquelas noites pós-festividades em que não havia sopa feita (fazer sopa no Natal até deve ser pecado) e era preciso desencantar uma ideia simples para o jantar. Meia dúzia de pesquisas por sites e blogs e cheguei à shakshuka. Isso: à shakshuka. E ainda bem que cheguei!

 

Para quem não sabe o que é e se dá bem com o inglês, há este magnífico artigo do The Guardian, que explica tudinho. Mas, resumindo, a shakshuka é um prato com raízes no norte de África e em Israel, que tem como base das bases tomate e ovos. Juntam-se ervas e alguns outros temperos e está feito. Serve, dependendo de onde é feito, de pequeno-almoço, entrada ou prato principal. É tudo cozinhado – e servido – no mesmo recipiente (no caso, na dita frigideira).

 

É bom? Se é! Aliás, é bem melhor do que o que eu esperava. Quer dizer, inicialmente o conceito até me convenceu – caso contrário eu não tinha experimentado. Mas enquanto estava a cozinhar só pensava «então mas isto é molho de tomate com ovos em cima...». Só que não é. Parece, mas não é. É muito mais. E muito melhor.

 

Como fiz isto à experiência, fiquei-me pela versão mais básica (vi várias receitas, e mais uma vez a do Guardian ganhou – de acordo com os entendidos no assunto, reúne todos os essenciais e não vai em nada além deles). E nem sei se me apetece experimentar mais alguma – gostámos tanto, tanto desta!

 

Shakshuka.

 

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Shakshuka

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 c. de sopa de azeite

½ cebola grande, bem picadinha

3/4 pimento vermelho em cubinhos

1 dente de alho esmagado

1 c. de chá de colorau

1 pitada de cominhos

1/4 c. de café de pimenta-de-caiena

400 g de tomate muito maduro ou em calda

1 c. de sopa mal cheia de açúcar

½ c. de sopa de sumo de limão

2 a 4 ovos

Coentros picados q.b.

 

***

 

Shakshuka.

 

Para começar, aqueça o azeite em lume médio. (Se usar um recipiente em ferro, não se esqueça de o pôr a aquecer aí minuto e meio antes de colocar o azeite.) Junte depois a cebola e deixe-a cozinhar até começar a ficar douradinha. A seguir vai juntar o pimento e deixar refogar mais um pouco. Quando o pimento estiver suave, junte o alho e as especiarias, mexa e deixe cozinhar por mais uns dois minutos.

 

Depois, vai juntar o tomate e desfazê-lo já na frigideira (ou no tacho), com a ajuda da colher, e vai também envolver o açúcar. Baixe o lume o mais possível e deixe tudo a fervilhar (devagarinho, quase nada) durante uma meia horinha. Vá mexendo, para que não pegue, e retifique os temperos.

 

Passada a meia hora, abra espaços neste "molho" (um por cada ovo). Com todo o amor e carinho, para não rebentar a gema, abra os ovos para esses espacinhos. Tempere-os só com um pouquinho de sal e pimenta. Mantenha o lume muito baixo, tape e deixe que os ovos cozinhem por uns 10 minutos – a ideia é ficar com a clara cozinhada e a gema líquida.

 

Assim que os ovos estiverem prontos, apague o lume. Salpique com o sumo de limão e os coentros picados e sirva com pãozinho acabado de torrar.

 

Simples, leve e d-e-l-i-c-i-o-s-o!

 

Shakshuka.

 

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Notas:

* A pimenta-de-caiena é, digamos, intensa. Por isso, se não estiver habituado a usar, vá com calma, está bem? Comece por ¼ de colher de café e se lhe parecer bem junte depois mais um pouco. Antes isso do que fazer um petisco todo bonito mas impossível de comer. ;)

 

* Em vez de coentros, pode usar salsa. Ou até experimentar juntar louro ou tomilho. Além disso, há também quem use canela.

 

* Ainda sobre os temperos: eu uso cominhos em doses "homeopáticas". Temos uma relação complicada – falando bem e depressa, tudo o que me sabe a cominhos sabe-me a morcela. E eu gosto de morcela! Não acho é muita piada a comida que não a tem lá pelo meio e que mesmo assim lhe toma o sabor. E os cominhos são muuuuito fortes, já se sabe... Daí que tenha sugerido uma pitada. Ponha a gosto. (Eu só não saltei essa parte porque, visto que estava a experimentar a receita, quis-lhe ser o mais fiel possível... E verdade seja dita que pus tão mas tão poucos que o sabor acabou por nem se notar.)

 

* O tomate, como escrevi lá em cima, é a base das bases. O pimento é a "base número 2" – segundo percebi na receita israelita também é essencial, aliás. Mas a partir daqui vale tudo: batata, feijão, milho, alcachofras, courgete... É correr as internetes desta vida e há ideias diferentes para um mês de refeições.

21
Nov17

Legumes no forno. Sol na mesa e no prato.

Batatas-doces, abóbora, castanhas e laranja – tudo assadinho no forno.

 

No último post contei a história de um almoço de domingo bem bonito (e bom!). Aquele pato assado no forno, de facto... Coraçãozinho para ele. ;)

 

Na altura prometi que depois falaria do acompanhamento: batatas-doces, abóbora e castanhas, tudo assadinho no forno. Nada mais simples nem mais saudável. E além disso fica bem bonito!

 

(Aparte: a cozinha é muito dada aos laranjas, não é? Pelo menos a minha. Apercebi-me disso depois de criar a conta de Instagram do Gulinha. Laranja por todo o lado... Eu bem tento evitar, ou pelo menos intercalar cores, mas não há hipótese. Nesta casa come-se muito em tons laranjas.)

 

Bom. Voltando ao acompanhamento... Fica lindo, sim. Com um ar rústico, simples e despreocupado, e lá dentro cheio de sabor. Para mim, encaixa especialmente bem se acompanhar carnes assadas ou grelhadas.

 

A receita não vai ter quantidades porque se faz ao gosto e à medida de cada um. Aliás, na verdade é quase exagero chamar a isto "receita"... É uma ideia para gastar legumes (e afins) que tenha aí em casa e para variar nos acompanhamentos. E ainda para mais fica linda, pois!

 

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Batatas-doces, abóbora, castanhas e laranja – tudo assadinho no forno

Ingredientes:

Batatas-doces (da cor que tiver ou que preferir; eu usei brancas e laranjas – lá está...)

Laranja (rodelas e sumo)

Castanhas congeladas

Abóbora-manteiga

Sal, pimenta preta, tomilho fresco, alho em pó, colorau e azeite q.b.

 

Batatas-doces, abóbora, castanhas e laranja – tudo assadinho no forno.

 

***

 

Nada mais simples. A sério.

 

Pré-aqueça o forno aí nos 200º C e enquanto isso trate de arranjar as batatas e a abóbora. Quanto às batatas, lave-as bem, com a ajuda de uma escovinha, e corte-as em cubos ou rodelas grossas (depende muito do formato das ditas); quanto à abóbora, corte-a de forma a que fique em "gomos", ou em meias-luas.

 

Deite as batatas e a abóbora num tabuleiro. Junte também as castanhas e umas rodelinhas de laranja. Tempere, regue com um fio de azeite e um pouco de sumo de laranja e agite, para o tempero agarrar bem a todos os pedaços.

 

Batatas-doces, abóbora, castanhas e laranja – tudo assadinho no forno.

 

Leve ao forno até que tudo esteja bem cozinhado. E sirva quentinho.

 

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Notas:

* Se quiser pelar castanhas em vez de usar congeladas, vá em frente! Eu usei congeladas porque tinha ali um resto. E ainda para mais eram ótimas! Pequeninas e docinhas. :)

 

* A abóbora-manteiga é das melhores para este tipo de receitas. Se tiver outra, experimente – mas não garanto que fique com a textura que se pretende...

 

* Invente à vontade nos temperos. Nas ervas, nos pós... É ao gosto do freguês. Mesmo.

 

* Quanto às batatas-doces: se usar mais do que um tipo, controle a cozedura com especial atenção. É que batatas de cores diferentes podem não cozer à mesma velocidade... Pode ter uma pronta e a outra ainda nem a meio caminho. Já agora: habitualmente a batata-doce laranja cozinha-se um pouco mais depressa.

 

Batatas-doces, abóbora, castanhas e laranja – tudo assadinho no forno.

01
Nov17

Rolinhos de courgete – ou a comida de conforto perfeita.

Rolinhos de courgete no forno.

 

Cá em casa a saga dos vegetais continua. Nem é de propósito... Quer dizer, é só mais ou menos. Por um lado, muitas das receitas que tenho para experimentar são à base de legumes e afins (e garanto que esta parte não foi propositada); por outro lado, por isto ou por aquilo tenho tido sempre legumes variados em casa, e como não gosto de estragar nada não têm faltado oportunidades para os pôr "em andamento".

 

Bom, tudo isto para justificar esta recente leva de posts que têm tudo o que é verde (ou branco, ou amarelo, ou cor de laranja) e saudável como estrela. Cá em casa também há muito peixinho e muita carninha! Têm andado meio sumidos, é verdade, mas regressam a qualquer momento.

 

Rolinhos de courgete no forno.

 

Seja como for, por enquanto continuo nos legumes. Hoje, chega outro êxito cá de casa: a courgete. E ainda por cima numa receita vegetariana que é tão mas tão boa que uma pessoa até se esquece de que não leva carne (os mais sensíveis a estas temáticas que me perdoem desde já a observação anterior). É só olhar para a fotografia para perceber que isto é bom, não é? Então agora imagine o cheiro. Sim. O cheirinho destas belezas quando saem do forno.

 

Se tem amigos vegetarianos e quer convidá-los para jantar aí em casa esta é uma ótima ideia para o cardápio. Vai agradar a todos – mesmo aos omnívoros obstinados. Cá em casa, estes rolinhos – que são receita original do site Skinny Taste – tiveram entrada direta e imediata para o top das receitas. Por todos os motivos!

 

Rolinhos de courgete no forno.

 

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Rolinhos de courgete no forno

Ingredientes [para duas pessoas]:

2 courgetes grandes

12 c. de sopa de molho de tomate

1 ovo grande

1 ½ chávenas de queijo ricotta

½ chávena de queijo ralado (parmesão, pecorino romano ou grana padano)

1 dente de alho

¾ de chávena de mozzarella ralado

Sal, pimenta preta e folhas de manjericão q.b.

 

***

 

Rolinhos de courgete no forno.

 

Para começar, vai ter de cortar a courgete no sentido do comprimento. Precisa de 12 fatias, aí com 2 mm de espessura. Se tiver uma mandolina isto é facílimo de fazer; se não tiver pede um pouco de habilidade com a faca, mas também se chega lá.

 

Quando tiver as fatias de courgete prontas, coloque-as sobre papel de cozinha, cubra com mais papel e deixe-as assim durante uma hora, mais ou menos, para perderem parte do líquido.

 

Passada essa hora, vai pôr o forno a pré-aquecer nos 200º C. E, enquanto isso, trata do resto.

 

Tempere as fatias de courgete dos dois lados com sal e pimenta preta. Aqueça o grelhador e leve as fatias a "semi-grelhar" – uns dois a três minutos de cada lado chegam. A ideia é que a courgete não fique totalmente cozinhada, mas que amoleça. (E, sim, vai ficar com as marcas da grelha.)

 

"Nos entretantos" bata numa taça o ovo, e depois junte o ricotta, o queijo ralado, as folhas de manjericão picadas, o alho esmagado e mais uma pitada de sal e outra de pimenta. Misture bem e reserve.

 

Assim  que as fatias de courgete estiverem prontas, barre-as com a mistura de queijo. Depois enrole uma a uma e disponha-as num tabuleiro, com a parte em que os rolinhos fecham voltada para baixo. Por cima de cada rolinho coloque uma colher de sopa de molho de tomate, e por fim polvilhe com um pouco de mozzarella.

 

Leve ao forno cerca de 30 minutos. Nos primeiros 15, o tabuleiro deve estar bem tapado com papel de alumínio; depois é tirar o papel, deixar o queijo alourar... E servir!

 

Rolinhos de courgete no forno.

 

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Notas:

* Se não tiver manjericão fresco pode usar seco, é claro.

 

* Eu costumo usar molho de tomate caseiro (um dia deixo aqui a "minha" receita). Mas quando preciso de quantidades muito pequenas e não tenho molho feito a verdade é que não me compensa fazer de propósito... Nesses casos, não usando molho feito por mim, compro o do Celeiro, que além de ser delicioso é 100% biológico e não tem nada além de legumes e sal. Há outros molhos biológicos nos supermercados, mas mesmo assim são (pelo menos os que conheço) mais "processados"...

 

Rolinhos de courgete no forno.

29
Set17

O konjac, essa bela descoberta.

O konjac, essa bela descoberta.jpg

 

Como já aqui disse, não sou vegetariana. Não tenho intolerâncias alimentares. E dietas também não são comigo. Enfim... Faço algum esforço, perfeitamente razoável, para não aumentar de peso. Mas não me proíbo nada. A minha preocupação é sobretudo comer de forma saudável e variada, mas há espaço para tudo! Legumes, molhos, peixe, queijo, carne, chocolate, sobremesas, saladas... Nesta casa faz-se de tudo, dos crus aos gratinados (bom, os fritos estão praticamente desaparecidos, confesso). O cuidado está apenas em só fazer uma refeição menos recomendável por cada 10 ou 15 em que tudo, ou quase tudo, bate certo.

 

Por outro lado, variar também é muito importante. E não o é só do ponto de vista nutricional, que é o mais importante e mais óbvio. Variar também permite experimentar. Testar. Conhecer sabores novos, procurar texturas, acertar nas combinações, ter cores bonitas no prato. Permite que a comida nunca canse. Que haja sempre algo novo. Que as repetições sejam poucas.

 

No que toca a experiências com novos alimentos, faço-as sobretudo com legumes, leguminosas e afins. Por isso é que a quinoa chegou cá a casa, por exemplo – e ficou por ser saudável, claro, mas acima de tudo porque eu a-d-o-r-o aquele sabor. E também cá chegaram as lentilhas, o tofu ou o cuscuz (e o bulgur vem a caminho). Experimentei tudo isto noutros lugares e gostei tanto que decidi fazer também.

 

Outra coisa que chegou há uns meses foi o konjac, por sugestão da minha "irmã". Só me dizia maravilhas: é bom, nem se percebe que não é mesmo massa, tem 10 calorias por dose, faz-se em três tempos, é versátil, apanha os sabores do que se lhe juntar... E por aí fora.

 

Bom, e lá foi a Sofia em busca do konjac.

 

Assim numa explicação muito breve e pouco científica, o konjac é uma fibra que é retirada da raiz de uma planta com o mesmo nome. Lá para as Ásias é muito usada, na culinária e não só. Se escreverem o nome no Google vão ver que do konjac se fazem cápsulas para emagrecer mas também esponjas para a pele. E, além disso, fazem-se as "massas" – que na verdade são estas fibras em formato de massa. Esparguete, fettuccine, noodles... Há várias opções.

 

É verdade que a ideia de fazer uma massinha boa, caseira, com o que houver no frigorífico e por 10 calorias por dose (só da "massa", atenção) é aliciante. Apetece experimentar. E eu experimentei.

 

Veredicto: não passa totalmente por massa a sério, não. Mas isso não significa que não seja bom – é. Eu, pelo menos, gosto. O konjac fica molinho e suave. Com os restantes ingredientes e o molho que lhe quiserem pôr, fica ótimo. (Aqui o molho é particularmente importante, se querem que o konjac se pareça, dentro do possível, com massa. Nesse caso konjac seco não vai mesmo resultar.)

 

No caso da comida oriental, por exemplo, o konjac pode substituir os noodles normais, ou a massa de arroz.

 

O mais importante para o konjac saber bem é mesmo o que se lhe acrescenta. Não tem lá grande sabor, por isso é preciso ir buscá-lo a outros lados. Cá em casa já fiz algumas vezes, nas versões esparguete e fettuccine, e resultou sempre bem. Desta feita, foi para um jantar levezinho, e acabou por sair uma versão quaaase vegetariana. Cheia de cor e de sabor!

 

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Konjac de vegetais (com um bocadinho de parmesão)

Ingredientes [para duas pessoas]:

250 de konjac [versão esparguete]

1 courgete média

1 cenoura média

180 g de cogumelos frescos [os que preferirem – eu usei portobello, porque tinha cá em casa]

250 g de tofu

150 g de ervilhas

6 a 8 mini tomates-chucha

250 ml de creme de soja

4 a 6 colheres de chá de sumo ou polpa de tomate

Molho de soja, alho em pó, mel e tomilho q.b. [para a marinada do tofu]

Azeite, sal, colorau, orégãos, manjericão, alho e pimenta preta q.b. [para o salteado]

Coentros e lascas de parmesão q.b. [para finalizar]

 

***

 

A primeira coisa a fazer, pelo menos com uma meia hora de antecedência, é tratar do tofu. Escorra-o, passe-o por água, seque-o com papel de cozinha e corte-o em cubos. Numa taça onde caibam os cubinhos todos, e que seja mais funda que larga, coloque, a gosto, molho de soja, alho em pó, tomilho e mel. Misture bem e deixe o tofu a marinar nesta mistura. Vá-lhe dando umas voltinhas, para ele ganhar sabor por igual.

 

Quando for altura de fazer o almoço ou o jantar, vai começar por arranjar os legumes, cozer as ervilhas e escaldar o konjac.

 

Quanto aos legumes: a cenoura vai ser ralada; os cogumelos são para limpar muito bem e cortar em pedaços médios; a courgete, neste caso, foi espiralizada, mas pode perfeitamente ralá-la, também.

 

As ervilhas vão cozer em água temperada com sal. (Não deixe que fiquem demasiado moles, para depois não se desfazerem quando as juntar ao resto.)

 

O konjac é preparado tal como diz na embalagem: escorre o líquido em que vem conservado (eu sei que o cheiro não é o melhor, mas não desista agora), lava bem debaixo de água corrente e leva um minuto ao lume, em água a ferver ligeiramente e temperada com sal. Depois coa e reserva quase até ao final.

 

Num wok, ou pelo menos numa frigideira grande, salteie os cogumelos em azeite, e temperados com sal, um bom dente de alho picado, pimenta preta, colorau, orégãos e manjericão. Logo de início, ou um pouco depois, junte o tofu e a marinada. Deixe saltear.

 

A seguir, vão juntar-se à festa a cenoura e a courgette. Continue a saltear. Depois, junte as ervilhas, que entretanto já cozeram, e o konjac. Envolva bem e deixe cozinhar – em lume médio, para o konjac absorver os sabores. Ainda antes do molho, junte os tomates, cada um cortado em três pedaços. (Vai dar sabor mas sobretudo cor.)

 

Por fim, junte o creme de soja e a polpa de tomate, envolva tudo muito bem e deixe ferver um bocadinho. Veja se precisa de fazer algum ajuste ao tempero, apague o lume e sirva logo, para estar bem quentinho e suculento! Decore com coentros picados e, se não tiver nada contra, com umas lasquinhas de parmesão.

 

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Notas:

* Os cogumelos não se lavam. Bom... Os cogumelos são tipo esponja. Por isso, quanto mais água se lhes chega mais eles absorvem – o que os vai impedir de ganhar aqueles saborzinhos bons do salteado, e dos outros ingredientes, e do molho... Comece por sacudi-los bem. Se ainda houver terra, limpe-os um a um com uma toalha de papel húmida  (é um trabalho de paciência, eu sei, sobretudo quando são muitos). Em último caso, se a terra for muita e nem assim se conseguir livrar dela, lave também um a um mas debaixo da torneira e só com um fiozinho de água a correr. Muita água, não. E pô-los de molho, nem pensar!

(A melhor maneira de tornar isto mais simples é escolher os cogumelos mais limpinhos que encontrar. Quando se compra avulso a tarefa é mais fácil, claro.)

 

* Se quiser usar outras ervas no salteado, pode e deve fazê-lo!

 

* O molho pode, claro, ser feito com natas. Aliás, esta receita é só uma base – pode juntar e tirar o que quiser.

Sofia.

Mais Gulinha.

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